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OUSAR VIVER GENUINAMENTE A ROTINA

Se a vida ligeira, apressada, cheia de coisas a consumir e desprazeres a desfrutar vai sendo vivida como se apartada de seus significados, claro é que sonharemos com um tempo e lugar especiais que nos colocarão em sintonia com aquilo que intensificaria a vibração do nosso corpo e alma. Claro que a dimensão espiritual da existência será projetada num lugar e num momento especial para além do que nos tangencia e atravessa. Claro que a satisfação em se viver será arremessada para a viagem dos sonhos, para cenários e países que parecem destituídos dos insuportáveis que vivemos e nos machucam.

Então sonhamos, sonhamos com turnês maravilhosas, com santuários que nos alcancem milagres, com experiências que a nossa “vida pequena” não tem força para nos fazer conhecer. Mas – bem já sabemos – se há um mundo melhor e bonito a ser alcançado ele não está lá. Ele está aqui, permeando as realidades, disponível e gratuito. É a que poderíamos chamar de dimensão sagrada da vida.

A dimensão sagrada da vida não está fora, nem distante, nem descolada dela. A dimensão sagrada da vida está nela como estrutura, esqueleto, sangue. Como pele, epiderme e musculatura. E, parece, é pela cotidianidade da vida que essa dimensão poderá ser mais facilmente acessada.

A despeito da desvalorização da rotina, do que é mais simples e aberto, a vida comum, banal, não poderia ser desperdiçada, por ser, assim, a mais excelente via para acessar estes outros horizontes capazes de dar novos e consistentes sentidos à vida. Ou seja, nos permitir, tentar, ousar viver genuinamente a aparentemente “pobre” rotina pode ser um belo enfrentamento aos modos contemporâneos de existir, modos que nos enchem de expectativas por grandes momentos, que colocam a todos em busca de “sonhos”, que a muitos movimenta para que busquem ideais, lá longe, em exaustivas lutas por “realização” e que resultam quase sempre em colheitas fartas de frustrações.

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Dauri Batisti
Padre, psicólogo e Mestre em Psicologia Institucional

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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