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Os arcos

Para falar sobre “arcos”, partiremos do princípio da linguagem simbólica universal, onde as figuras geométricas, círculo e quadrado, são, desde os tempos primitivos, símbolos da experiência humana na sua relação com o sagrado. O círculo, sinal do divino, significa perfeição, harmonia e unidade; é um movimento cíclico, fora do tempo e é a primeira manifestação do centro. O centro de tudo, para o cristão, é o próprio Deus, que se revela em Jesus Cristo.

Do latim arcus, o arco é um elemento construtivo em curva, emoldura a parte superior de um vão (abertura ou passagem) ou reentrância, normalmente em alvenaria. Tem grande aplicação na arquitetura e engenharia, como portas, janelas, pontes, aquedutos, abóbadas, barragens, etc. Surge com as civilizações antigas, mas os romanos serão os responsáveis pelo seu uso em grande escala. Ali se propaga o arco pleno, isto é, a metade do círculo. Este será usado em toda a Antiguidade até o final do primeiro milênio cristão e será uma característica do estilo Românico, como do Renascimento mais tarde. Por altura do estilo gótico, já teremos o arco ogival. Assim, ao longo da história, o arco apresentará muitas variações, úteis à identificação e classificação de vários movimentos artísticos e arquitetônicos.

Como elemento simbólico, os arcos nos remetem ao sagrado e, por isto, sobretudo os chamados arcos plenos, fazem tanto bem ao nosso olhar, dando-nos uma grande sensação de conforto, de “estamos em casa”. Os arcos da parte posterior ao frontispício do Convento São Francisco, na área da Cúria, na Cidade Alta, parecem se “desprender” do restante da construção, o que faz dele um diferencial com relação a outros conventos, que têm o alpendre e os arcos mais integrados. No Convento São Francisco, os arcos não só faziam a “transição entre o interior e o exterior do Convento”, mas eram utilizados também na realização de festas e leilões, como se refere Andrea Della Valentina, na dissertação de mestrado em 2009. Eles estão bem perto de nós e podem ser visitados. Façamos a experiência ao vivo!

CONVENTINHO-arte-sacra

Raquel Tonini, membro da Comissão de Arte Sacra da Arquidiocese de Vitória e

Grupo de Reflexão do Setor Espaço Celebrativo da Comissão Litúrgica da CNBB

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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