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ORAÇÃO E AÇÃO

Na vida de uma Carmelita Descalça, a oração é mais que uma ação que se faz em horários preestabelecidos. Ela não começa quando o trabalho termina. Pelo contrário, oração e ação andam juntas, são interdependentes.

Ao fundar o Carmelo Teresiano, Santa Teresa de Jesus colocou a oração como centro e fundamento da vida das Carmelitas. Ela queria que todas estivessem “ocupadas em orar” pela Igreja e pelos sacerdotes. Mais ainda, Santa Teresa inovou, apresentando a oração como um relacionamento de amizade: “Para mim, a oração mental não é senão tratar de amizade – estando muitas vezes a sós – com quem sabemos que nos ama”.

Quando entendemos que a oração é uma relação de amizade e que este Amigo (que nos ama!) é o Senhor, nossa ação pastoral e nosso apostolado tomam um novo sentido. Percebemos que não é possível separar oração e vida, vida e ação. Nossa vida e nossa ação serão reflexos e consequência de nossa oração.

De fato, a oração, o “estar com o Senhor”, é fundamental para a vida cristã; para tanto, é necessário que procuremos diligentemente ter uns poucos momentos diários para “estar com o Senhor”. Neste sentido, convém escutar da própria Santa Teresa, a sua maneira de orar: “Eu buscava com todas as forças manter dentro de mim Jesus Cristo, nosso bem e Senhor, sendo esse o meu modo de oração”. O que torna possível a oração, segundo Santa Teresa, é ter consciência de que Deus está presente junto a mim, ao meu lado e em mim. Sem essa consciência é impossível ser orante. E mais: ter consciência desta Presença é o que transforma a vida do orante, comprometendo sua existência num processo de configuração com Cristo.

Dito isso, fica claro que a oração, longe de ser um monólogo alienante e intimista, é uma interpelação que compromete a vida: “Apreciemos a oração e ocupemo-nos dela, não para nos deleitar, mas para ter forças para servir”. “Pois isto é oração: fazer nascer obras, sempre obras!” Este sábio conselho de Santa Teresa de Jesus sobre a oração e ação, revela a profundidade e o equilíbrio de sua doutrina.

Colocamo-nos em oração para escutar o Senhor, para ouvir sua Palavra e discernir sua Vontade; depois, saímos para anunciar e testemunhar o que ouvimos na oração. Desta maneira, nossas obras, por pequenas e insignificantes que sejam, serão “Obra de Deus” para a salvação do mundo.

Para concluir esta partilha, gostaria de transcrever ainda algumas palavras de Santa Teresa: “Não edifiquemos torres sem alicerces sólidos, porque o Senhor não olha tanto a grandeza das obras quanto o amor com que são realizados. E, desde que façamos o que pudermos, o Senhor nos dará forças para fazê-lo cada dia mais e melhor”.

Irmã Adriana do Sagrado Coração de Jesus, Carmelita Descalça
Carmelo de Nazaré – Cariacica /ES

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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