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O valor da oração e do perdão na comunidade dos discípulos missionários

O Evangelho de Mateus sempre foi acolhido como um discurso dirigido à Igreja. Já abordamos anteriormente, neste espaço, a primeira parte do discurso de Mateus 18, agora voltaremos nosso olhar para a segunda parte do mesmo. Nela encontramos outros dois aspectos fundamentais da comunidade eclesial, que são ressaltados e indicados como essenciais para que a comunidade seja fecunda e viva − A oração comunitária e o perdão.

A comunidade é convidada a aprender o valor da oração em comunhão, vivendo como uma comunidade unida que faz do espaço de comunhão um lugar de crescimento na fé (Mt 18,19-20).

O ponto fundamental desta passagem não é simplesmente a oração, mas a sua perfeita sintonia e a comunhão na vida da comunidade que ora e celebra a vida. O aceno principal é a concórdia que garante a eficácia da oração. A intenção do evangelista é afirmar que mesmo as diferenças entre os membros da comunidade não devem ser motivos para que essa não posssa crescer em comunhão, sendo assim ouvida por Deus.

É Cristo o ponto de união da comunidade. Ao redor dEle os discípulos crescem em comunhão, cuidam uns dos outros e zelam para que todos cresçam na fé. O texto aponta claramente para o Emanuel – “Eu estou com vocês” – a presença do Deus de Israel em meio ao povo – Cristo com seus discípulos, formando uma comunidade que cresce na comunhão e na sintonia da fé.
O outro elemento importante é o valor irrenunciável do perdão, como lugar de reconciliação e crescimento no amor fraterno (Mt 18,21-35).

Até então, no discurso do capítulo 18, quem colocava as perguntas eram os discípulos; agora, Pedro surge como porta-voz de todos ressaltando em sua questão quais seriam os limites do perdão. A resposta de Jesus é apresentada em três cenas interligadas entre si.

A primeira cena é apresentada e tem como personagens o devedor e o rei. A soma da dívida era impagável, por isso a venda da família e de todos os bens faz-se necessária. Todavia, a palavra compaixão ocupa o lugar central no discurso. Essa palavra, quando utilizada no hebraico, pode ser traduzida como as entranhas e vísceras do homem e, principalmente, como ventre materno − lugar dos afetos e dos sentimentos, lugar do amor compassivo; não somente um sentimento de amor, mas uma atitude concreta e real do mesmo. Neste caso, o perdão ganha um valor que vai além de um compromisso de revisão do caminho daquele que é perdoado e ganha um caráter de gratuidade.

A segunda cena traz o devedor perdoado e alguém a quem ele não perdoa. Mesmo tendo recebido o perdão de sua dívida, ele ainda não aprende a lição, não é capaz de reproduzir na vida a lição de gratuidade daquele que lhe perdoou o que devia. Esta cena introduz a última, que concluirá a perícope e todo o capítulo, na qual o devedor é perdoado diante do rei. A indignação do rei com o fato dele não ter compreendido a lição e não ter sido capaz de mudar suas atitudes é um sinal para a comunidade.

Na escola da comunhão e da fé os discípulos devem aprender com os gestos de Cristo e crescerem no perdão, que é fruto do amor gratuito de Deus. A compaixão de Cristo deve ser o ponto de partida para que todos os discípulos se tornem compassivos como ele o foi.
Para Mateus, o perdão não é sentimento, mas compromisso de fé, algo que identifica uma comunidade de discípulos.

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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