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O TAMANHO DAQUELA SAUDADE

Que a vida é um ciclo, todos nós sabemos.
Que a pessoa que parte para o descanso eterno pode ter a paz como recompensa é um alento que também sabemos. Mas então, por que quando alguém próximo a nós se vai o que fica em primeiro lugar é o sentimento de perda e de tristeza?

Lembro de uma conversa com a minha avó quando eu ainda era muito novo. Na casa dela tinha um passarinho em uma gaiola, coisa do meu avô que gostava de cuidar dele, limpando aquela pequena prisão todas as manhãs. Colocava areia no chão da gaiola, nos recipientes iam água e alpiste. Muitas vezes ele colocava um mimo diferente como jiló.

Na verdade eu nunca prestei muita atenção neste passarinho, nunca me apeguei, mas fiquei muito triste, desconsolado mesmo, quando ele se foi. Foi aí que a minha avó sempre perceptiva veio conversar comigo:

- Não fique triste assim Julinho.

- Por que ele foi embora vovó?

- Era a hora dele.

- Por que tem hora? Quem disse que era hora? Eu quero ele aqui.

- Chega uma hora que temos que ir.

- Por quê?

- Nosso corpo envelhece, chega um momento em que ele precisa descansar, precisa parar.

- É assim? Cansou, parou e acabou?

- Não acaba. O caminho continua.

- Onde?

- Um lugar de paz, onde ele vai poder voar livre, encontrar os que foram antes dele e esperar os que ainda irão.

- Você vai vovó?

- Espero que sim Julinho.

- Não quero que a senhora vá.

- Todos iremos.

- Juntos?

- Cada um no seu tempo…

- Não quero que a senhora vá antes.

- Vou antes para deixar tudo mais bonito e organizado para quando você for.

- Vai estar todo mundo lá?

- Sim.

Com um abraço forte eu não chorava mais pelo passarinho que se foi. Ainda chorava, mas era um choro diferente… “por favor, não tenha pressa de ir não, vovó.”

O corpo se cansa, desgasta, se vai. Mas fica o que a pessoa representou em nossas vidas, o carinho, os ensinamentos…

Vá em paz Dom Silvestre, tenha o merecido descanso. Daqui a gente vai aprendendo a se virar com as partidas, as chegadas, as alegrias e as dores do dia a dia, tendo no coração todos os exemplos que você nos proporcionou.

Obrigado!

editor1

Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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