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O Sim ao projeto de mundo novo, fraterno, justo e solidário

O primeiro dia do ano civil traz a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, tal celebração coloca-nos diante do mistério do amor de Deus pelos homens e mulheres que criou, seu desejo de resgatar a humanidade do seu afastamento da graça e oferecer à mesma a comunhão perdida.

No princípio está o grande sim de Deus, marcado por sua incondicional gratuidade e infinito amor que brotam do coração de um Pai desejoso de fazer comunhão com os seus filhos e filhas. O Sim de Deus é sempre livre e independe, no primeiro momento, da acolhida ou não do homem, pois segue sempre o seu projeto de salvação. Nesse caso, o sim de Deus precede todo o sim da humanidade, que é convidada a acolher a proposta divina, oferecendo ao Senhor o seu sim, a exemplo de Maria. Deus escolheu a humanidade, em Cristo, antes da criação do mundo, para a vida na santidade e na graça, algo que é a expressão clara do grande e incondicional sim de Deus aos homens e mulheres de todos os tempos, raças e nações.

No encontro do anjo Gabriel com Maria, o sim de Deus é apresentado de novo à humanidade, naquele diálogo entre o mensageiro do Senhor e a cheia de Graça se descortinava, mais uma vez, o desejo de Deus de comunhão com os seus filhos e filhas. Na voz do anjo estava a Palavra e a Promessa do Senhor feita, não somente a Maria, chamada a ser Mãe do Salvados, mas, algo estendido a toda a humanidade. O universo inteiro se silenciou, depois da palavra do anjo, na expectativa de ouvir o sim de Maria. Com a sua adesão à vontade de Deus, Maria rompe com o não outrora oferecido e abre, segundo a graça divina nela presente, espaço para que o Filho de Deus se encarnasse. Desse modo, o sim de Maria se torna a porta aberta para o seu coração que deseja estar cheio da graça de Deus e cumprir com a vida o que o Senhor lhe propusera.

O abandono de Maria nas mãos do Pai é sinal de um compromisso profundo selado em seu coração, um desejo de ser a serva do Senhor e cumprir a sua vontade durante toda a sua vida. Nesse caso, ao proclamá-la cheia de graça, preservada do pecado original, isto é, Imaculada, a Igreja reconhece a obra divina na serva do Senhor, algo que todas as gerações são convidadas a reconhecer e bendizer. Ela foi destinada a acolher o Filho e com Ele o próprio Pai, na graça do Espírito Santo, tornando-se imagem da Igreja que sabe dizer sim ao convite amoroso de Deus e se torna seu sinal no mundo.

Assim manifesta-se o mistério do amor de Deus que sempre oferece a sua face amorosa aos seus filhos e filhas, num sim irrestrito e constante, prova de sua fidelidade e Aliança eternas. Algo que encontra acolhida no coração da Virgem Maria ao selar o seu desejo de unir-se à vontade do Pai, por meio de seu sim diante das palavras proferidas pelo anjo Gabriel. E todos mergulhados em tamanha gratuidade, seja pelo amor divino que não se cansa de procurar o homem, bem como, pela adesão da Virgem à vontade do Pai, são provocados a dizer o nosso sim ao Senhor.

No sim de Maria está o caminho de seguimento da vontade do Pai, aberto por uma mulher que se deixou envolver pela graça de Deus. Desse modo, ao dizer sim ao seu Filho ela já se tornava também, além sua mãe, sua seguidora, isto é, a primeira discípula missionária. Sendo assim, todos devem se sentir convocados a assumir a sua mais profunda vocação, nascida nas águas do batismo, de ser, nessa terra, discípulos missionários de Jesus Cristo, o Filho da Virgem Maria. A fim de que, por meio da graça divina que trabalha nas mãos, nos corações e na vida de cada um, a terra seja transformada na casa da família de Deus, lugar para todos os seus filhos e filhas. Que o sim de cada um ao plano de amor do Pai, a exemplo de Maria, faça de todos os missionários de Jesus Cristo, promotores da paz e da justiça, homens e mulheres novos para o tempo novo de Deus, isto é uma sociedade justa, fraterna e solidária.

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Pe. Andherson Franklin
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e doutor em Sagrada Família

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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