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O Reino revelado aos pequenos e pobres

Em Mt 11,25-30, Jesus agradece ao Pai pela revelação feita aos pequenos e humildes, revelando uma postura contrária à dos escribas e fariseus. Esses tomavam para si o estudo da Lei e das Escrituras, impedindo o povo de se achegar ao Senhor livremente. Todavia, Jesus, demonstra que os mistérios do Reino dos Céus não são acessíveis contando somente com a inteligência e a sabedoria deste mundo. Mas, eles são revelados àqueles que reconhecem a sua pequenez e simplicidade, àqueles que se dirigem ao Senhor de coração sincero e sem soberba, tais mistérios são revelados aos simples e pequenos.

Ao utilizar o contraste entre os sábios e doutores de um lado e os pequenos do outro, Jesus indica dois grupos distintos de pessoas. No primeiro ele descreve aqueles que confiam em sua própria sabedoria, os entendidos da Lei e da Sagrada Escritura, que por muitas vezes fecham seus olhos para ver e seus ouvidos para ouvir, afastando-se assim do Senhor. O outro grupo, por sua vez, é composto pelos pequeninos, esses são todos os que foram colocados à margem: as mulheres, as crianças, os pobres, os considerados impuros. Isto é, todos os que, segundo os critérios do primeiro grupo, não poderiam jamais compreender os mistérios do Reino dos Céus.

Para o Judaísmo, Deus só poderia ser conhecido unicamente por aqueles que Ele havia escolhido, ou seja, o povo eleito, ao qual Ele confiou também a sua revelação. Agora, Jesus se apresenta como revelador do Pai, como Aquele que, em suas palavras e ações O revela plenamente, algo que só é possível em vista de sua intima relação com o próprio Pai. Tal relação intima de Jesus com o Pai está descrita de forma clara no Evangelho de João, quando Jesus diz: “Aquele que vem do céu dá testemunho do que viu e ouviu” (Jo 3,31) e ainda “O Pai ama o Filho e tudo entregou em sua mão” (Jo 3,35).

No final do texto Jesus inicia fazendo um convite aberto, dirigido a todos, aberto a todo o povo de Israel, a toda a comunidade de seus discípulos: “Vinde a mim”. Neste convite, é possível perceber o conhecimento de Jesus do cansaço e das fadigas de todos os que viviam oprimidos debaixo do fardo da Lei, que excluía e oprimia com um jugo difícil de suportar, afastando assim as pessoas de Deus e de sua presença. Para o evangelista Mateus, o caminho dos discípulos junto ao Senhor era completamente diferente dos outros mestres − fariseus e escribas. Esses impunham fardos pesados, uma dura disciplina e severos castigos aos seus discípulos. Jesus ao contrário agia com mansidão e leveza, paciência e ternura, para com os que Ele chamou para junto de Si, mesmo diante dos seus maiores erros e dificuldades de entendimento.

Ao apresentar Jesus como manso e humilde de coração, o evangelista retrata o modo de ser de Jesus e as suas opções fundamentais. Ele incorpora em sua vida a vontade do Pai e a realiza em todas as circunstâncias, Ele é bondoso com as pessoas, humilde e pacífico, algo demonstrado em sua paixão. Mateus deseja deixar clara a diferença entre os fariseus que procuram os primeiros lugares e gostam de ser saudados nas ruas e Jesus que pratica exatamente o que ensina. A promessa de Jesus no final do texto indica o que está reservado para a comunidade de seus discípulos, para todos os que se achegarem a Ele e Dele acolherem a revelação do Pai, aprendendo assim a mansidão e a humildade de coração. A esses esta reservado o descaso da presença do Senhor que consola e sustenta no caminho e, em definitivo, no fim da vida, o Reino dos Céus.

Pe. Andherson Franklin, professor de

Sagrada Escritura no Iftav e doutor em Sagrada Escritura

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