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O Reino de Deus e os discípulos missionários

No Primeiro Testamento, o Reino de Deus não segue os critérios dos demais povos, que construíam os seus reinos sob as bases da dominação e exclusão dos pequenos e pobres. No coração da experiência de fé de Israel, o Reinado de Deus era marcado pelo cuidado divino e pelo seu auxílio sempre presentes, principalmente, junto aos que mais precisavam. Entre estes estão as viúvas, os estrangeiros e os órfãos que sempre foram os preferidos de Deus, alvos do seu amor e proteção, do seu cuidado e misericórdia. No Reino de Deus a marca fundamental é a sua Aliança, isto é, o seu compromisso de fidelidade junto ao povo que Ele mesmo escolheu por sua herança. Por isso, quando Israel constituiu para si reis, o crivo da balança que indicava se estes eram fiéis ao chamado que receberam ou não era o modo de agir de Deus, o verdadeiro Rei de Israel. O Senhor é Rei pois faz justiça ao oprimido, levanta os caídos, socorre os indigentes e liberta os cativos, estende a sua misericórdia sobre todos e usa de compaixão para com os que erram.

No Segundo Testamento, o Reino de Deus, segundo as palavras de Jesus, já estava presente junto ao povo, por meio de suas palavras, gestos e ações. Ele revelou a todos o Reino de amor e justiça do Pai, demonstrando uma bondade infinita e uma compaixão sem igual para com todos os sofredores. Ele continua anunciando o Reino para os pequenos e pobres, para os sofridos e marginalizados, os perseguidos por causa da justiça, enfim para os preferidos de Deus. Desse modo, o próprio Jesus é o grande sinal do Reino de Deus, que liberta e cura, que salva e garante a vida plena a todos, visto que o Reino, por ele pregado, é de paz, bondade e de justiça. Neste caso, os fiéis católicos são colocados diante de um claro projeto de Reino, que difere dos valores da sociedade excludente que tem produzido um número cada vez maior de empobrecidos. Sendo assim, aproximar-se do Reino de Deus significa acolher o projeto de Jesus Cristo e assumir, na própria vida as escolhas do Filho de Deus.

Um dos textos mais significativo no que diz respeito à proposta do Reino de Deus, presente nos Evangelhos, é o do juízo final de Mateus (Mt 25,31-46). O ponto máximo do texto se dá quando o Filho do Homem expressa o seu juízo, isto é, revela aos dois grupos que estão diante dele, qual dos dois se identificou com os menores de seus irmãos. Nessa identificação ele revela que aqueles que aos pequenos se dirigiram, foi a ele mesmo que se dirigiram, isto é, saíram ao encontro dos pequenos e o encontraram neles. Tal identificação deixa a todos atônitos, pois não esperavam que o Rei juiz se identificasse com os sofredores e pobres da terra. Isso significa que a ação dos que se dirigiram aos pobres e pequenos foi um gesto de amor claro e direto a Deus, isto é, ao encontrar um irmão caído por terra, nele encontraram o próprio Senhor. Tal identificação não era uma novidade em Israel, visto que o Servo Sofredor de Isaías já era descrito, na sua mais clara imagem, como identificado aos pequenos e pobres, aos sofredores e excluídos. Sendo assim, a identificação do Filho do Homem, Jesus Cristo, como os pobres da terra não é algo novo, mas faz parte da experiência de fé dos cristãos, desde o início do Cristianismo. Quem é o Rei do Universo se não o Crucificado, aquele que tomou sobre si as dores do mundo e as levou em seus ombros carregando a cruz. No alto da cruz ele devolve ao Pai a humanidade inteira que assumiu plenamente até as últimas consequências, com a entrega de sua própria vida. Desse modo, no olhar e nas dores dos pobres, sofridos, marginalizados, doentes e prisioneiros está o olhar de Cristo, pobre e sofredor à espera de todos os que a Ele aderiram por meio da Fé. Sendo assim, o amor concreto e solidário será o crivo da balança no julgamento divino, um amor que nasce na experiência de Fé daqueles que foram acolhidos como ovelhas no rebanho do Senhor e, por isso, são chamados a zelarem uns pelos outros.

Caminhos

Pe. Andherson Franklin
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e doutor em Sagrada Escritura

 

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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