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O QUE NOS DIFERENCIA?

Todos humanos têm atributos diferenciadores naturais. Nos diferenciamos por sexo, pela cor da pele. A essas diferenças naturais acrescentamos distinções socialmente construídas: etnia, idioma, religião, família, pátria, por exemplo. Na busca de harmonizar diferenças e de facilitar a convivência entre diferentes, estatutos são construídos com o objetivo de estabelecer pontos de igualdade. Igualdade que pode ser buscada em acordos conforme conveniências políticas, religiosas, etc..

Em sociedades modernas é politicamente conveniente estabelecer a igualdade de direitos independentemente de sexo, raça, classe social, poder econômico e credo. No entanto, mais do que o estabelecimento do direito de igualdade é ela se dar de fato. Mais do que consignar nos marcos legais de uma sociedade que todos têm direitos iguais – à educação, à saúde, à moradia, ao saneamento básico – é tornar esses direitos um instrumento de coesão social. Coesão que se dá quando o de direito é correspondido pelo de fato.

Quando o direito à educação, à saúde, à cultura, por exemplo, resulta no tratamento diferenciado entre os de maior e os de menor renda, a diferenciação leva ao esgarçamento social.

Esgarçamento que contribui para o aumento da violência.

Quando o direito à moradia e ao saneamento distingue as pessoas, com uma maioria habitando de forma precária enquanto outros em bairros assistidos por investimentos governamentais, o resultado é a separação social das pessoas. Separação que expõe de forma clara para quem quer ver a inexistência de justiça social.

Quando para aqueles que possuem veículos automotores são garantidas a maior fatia das vias de circulação, enquanto os que usam transporte público são onerados com longas horas em seus deslocamentos, o resultado é um ônus adicional para os que menos têm e ganham. Ônus que torna maior a distinção entre os que estão nas partes intermediárias e mais altas da pirâmide social e a maioria que se encontra em sua base.

É importante reconhecer a relevância da discussão sobre formas e conteúdos de perpetuação de diferenças no tratamento de fato, mais do que de direito, entre pessoas e classes sociais.
É fundamental o enfrentamento de desigualdades no acesso a direitos; desigualdades transforma direitos de todos em privilégios de poucos.

Reconhecimento de relevância e enfrentamento de desigualdades cada vez mais distantes do embate político em função de um crescente, exagerado e pouco criticado individualismo. Individualismo valorizado pelos que professam a apologia das regras do mercado. Apologia que assegura louros do olimpo aos poucos bem-sucedidos e que culpa os perdedores.

Sucesso sem qualquer reconhecimento pelas benesses sociais recebidas; perdedores por falta de equidade na forma como o progresso econômico é distribuído.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia – arlindo@villaschi.pro.br

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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