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O que diz o Papa?

Um dos princípios básicos para interpretar um texto é situá-lo no seu contexto. Esse pressuposto essencial passa despercebido pelos seguidores da sociedade líquido-moderna, que investem na fragmentação do pensamento e na curta expectativa de memória do público para que ideias e produtos sejam consumidos como novidades.

A sociedade líquido-moderna aplica essa regra ao apresentar assuntos relativos à Igreja Católica, relegando a Sagrada Escritura, a Tradição e o Magistério ao segundo plano, frente às ditas novidades de um novo Papa.

Cada frase coloquial ou fora de seu contexto dita pelo Papa – transformado em celebridade –, ganha ares de uma novidade desconectada da teologia e da doutrina católicas.

Torna-se crucial analisar criticamente as versões líquido-modernas feitas sobre as declarações do Papa, que transformam frases coloquiais descontextualizadas numa “declaração ex cathedra”, revogadora da teologia e da doutrina da Igreja até então em vigor.

Em alguns momentos, o Papa expressa publicamente ideias e temas para serem refletidos e os resultados desse debate teológico sirvam para otimizar as ações pastorais. Isso não significa revogar a doutrina católica nem afirmar que os antecessores estavam numa direção equivocada quanto às questões de fé e de moral.

Os posicionamentos expressos nas falas coloquiais do Papa são pautados na Sagrada Escritura, na Tradição e no Magistério da Igreja, dos quais não pode se eximir em razão de sua responsabilidade de Pastor.

Por exemplo, o Papa Francisco em entrevista após sua visita às Filipinas em janeiro deste ano, acentuou a paternidade responsável para que as crianças não sejam simplesmente abandonadas por falta de condições dos pais.

Ele usou uma linguagem popular: “Algumas pessoas pensam – perdoem a minha expressão – que, para ser bons católicos, temos de ser como coelhos. Não é isso. Ser bons pais é ser responsável.”

A declaração descontextualizada caiu como se fosse uma novidade recém-saída do forno…
Na verdade, posicionou-se amparado no conceito de “paternidade responsável”, incorporado pelo Papa Paulo VI na Encíclica Humanae Vitae, de 25 de julho de 1968, e pelo Catecismo da Igreja Católica (n. 2368), inclusive manifestando-se contra os métodos contraceptivos.

Ele expressou coloquialmente o pensamento da Igreja realçando a dignidade humana e a responsabilidade dos pais, atitude característica de sua personalidade e atuação pastoral, para fazer-se entender por todos, desde teólogos até as pessoas sem escolaridade. 

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