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O Ministério Ordenado do diácono

O ministério diaconal, como os demais ministérios na Igreja, tem sua referência fundamental em Jesus Cristo: “estou no meio de vós como aquele que serve” (Lc 22,27b). Trata-se de um ministério presente desde o início da Igreja (At 6,1-6), com a missão voltada para a caridade, a palavra, o culto, entre outras dimensões. “Diakonia” é uma palavra grega que significa “serviço”. Na Carta de Paulo aos Filipenses 1,1 há uma referência a esse título próprio do mundo grego e judaico para designar um serviço de auxílio ao vigia (bispo) da comunidade. Em Timóteo 3,8-11 há uma referência a esse ministério para administração dos bens materiais e assistência. Em Timóteo, S. Paulo apresenta um catálogo de qualidades requeridas aos diáconos (1Tm 3,813;46). Dentre os diáconos aparecem as mulheres (1Tm 3,11; Rm 16,1), reforçando a ideia de não existir monopólio dos varões no exercício do ministério diaconal.

Quando o Concílio Vaticano II restabeleceu o diaconato na Igreja (LG 29) não reduziu esse ministério às funções litúrgicas. Inserido no ministério episcopal e colaborador junto aos presbíteros, o diácono participa do múnus de ensinar, santificar e pastorear (Congregação para a Educação Católica e Congregação para o Clero).

O diácono está à disposição do bispo, de toda a Igreja, para servir a todo o povo de Deus e cuidar dos doentes e dos pobres; com razão e propriedade, ele é chamado amigo dos órfãos, amigo dos que cultivam a piedade, amigo das viúvas, fervorosos de espírito e amante de tudo que é bom.

Ele não é um mero executor de atividades litúrgicas do altar, mas um vocacionado que interpela a Igreja ao serviço dos empobrecidos e excluídos.

O diácono não assume o ministério para realizar um sonho individual, não é ordenado para exercer um poder na Igreja ou para substituir os presbíteros onde são em número insuficientes. Recebem um dom do Espírito, no Sacramento da Ordem, para colaborar nos diversos serviços específicos, necessários à vitalidade da Igreja.

Seu ministério colabora com o específico dos cristãos leigos e leigas, sendo paradigmas para a unidade dos discípulos missionários de Cristo. Ele é sinal visível de que é possível integrar autonomia do tempo e profissão de fé.

O diácono casado tem como vocação primeira o Matrimônio. Por isso, seu ministério está subordinado aos deveres do lar (esposa e filhos). O cuidado com a vida matrimonial e com o ministério diaconal precisa caminhar em harmonia. A família é o primeiro espaço ministerial que se amplia de acordo com suas possibilidades e condições.

Nas posturas de relação de bispo e presbíteros com o diácono, toda a realidade familiar deste deve ser levada em consideração, por isso a presença da esposa e filhos é fundamental no seu ministério.

Padre Ivo Ferreira de Amorim

Vigário geral da Arquidiocese de Vitória

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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