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O louvor da criação

A Igreja no Brasil, ao integrar na caminhada de conversão quaresmal a motivação sempre oportuna e comprometedora da Campanha da Fraternidade, escolheu para este ano de 2017 o tema “Biomas brasileiros e defesa da vida”, com o lema “Cultivar e guardar a criação – Gn 2,15”.
O cuidado com a criação e a casa comum em terras brasileiras, na diversidade dos seus biomas, é a concretização do compromisso evangélico de fraternidade universal. É a partir da consciência e sensibilização em relação à totalidade da criação que o ser humano encontrará o seu equilíbrio na comunhão cósmica.

A Palavra de Deus destaca os elementos da natureza como também participantes da história da salvação, os quais expressam, em testemunho, o louvor pela benfeitoria do Criador na face da terra, com sua ação vivificante e transformadora: “Os céus exaltam tuas maravilhas, Senhor, e tua fidelidade, na assembleia dos santos.” (Sl 89(88),6); “Louvai o Senhor, os da terra; cetáceos e profundezas todas; fogo e granizo, neve e neblina; vento de tempestade, dócil à sua palavra; montanhas e todas as colinas, árvores frutíferas e todos os cedros; feras e todos os animais domésticos, répteis e aves que voam” (Sl 148,7-10).

O Salmo 104(103), proclamado com exultação, particularmente, na Vigília Pascal e no Domingo de Pentecostes, bem expressa, pelo reconhecimento do orante, a integração e a unidade da obra criada: “Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras, e que sabedoria em todas elas! Encheu-se a terra com as vossas criaturas! Bendize, ó minha alma, ao Senhor!” (Sl 104(103), 24.35b).

Nas ações litúrgicas sempre são trazidos vários elementos da natureza como sinais ou indicativos do Mistério celebrado, a começar do elemento água, que abre ritualmente o caminho do cristão, pela liturgia batismal. Os óleos das unções remontam ao reino vegetal. O pão e o vinho, produzidos pela participação do trabalho humano, são elementos que provém dos frutos da terra. O fogo, o qual acende o Círio Pascal e as velas utilizadas nas várias celebrações, é a rápida oxidação de um material combustível liberando calor e luz. As flores, beleza e perfume que anunciam a ação vivificante do Espírito do Ressuscitado na vida da Igreja e do mundo.

Em suma, quantos outros elementos naturais a recordar, presentes nas celebrações litúrgicas, em consonância com o mistério de fé, celebrado na vida das comunidades cristãs. Na relação com os sentidos humanos, os elementos naturais despertam o louvor.

Que esta Campanha da Fraternidade seja a oportuna e urgente consciência de que “a criação inteira geme e sofre as dores de parto até o presente” (Rm 8,22), no desejo profundo da redenção, como plenificação do ser. Valorizar, cuidar, preservar e se relacionar com tudo o que Deus criou, são exercícios de crescer no afeto e na comunhão cósmica, em sinal de vida abundante para todos!

Fr. José Moacyr Cadenassi, OFMCap 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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