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O grave erro dos meios de comunicação

Estamos vivendo uma das poucas ocasiões na história brasileira em que os meios de comunicação têm a oportunidade de se mostrar à altura do que deles se espera. No entanto, uma vez mais a grande mídia prefere a liberdade de empresa em vez da liberdade de imprensa, assumindo-se ventríloqua de uma ideologia, de um lado do poder em disputa.

Tomemos como exemplo a operação Lava Jato. Em mais de dois anos, não houve nenhuma preocupação da imprensa brasileira de fazer investigação jornalística, indo além do que faz essa operação. Ela prefere se engalfinhar numa briga, como ratos de porão, por um vazamento, sempre seletivo, da Polícia Federal, Ministério Público ou Poder Judiciário em busca de um furo de reportagem.

Contudo, embora eivada de equívocos graves que levam a um perigoso Estado de exceção, a Lava Jato oferece ao país um momento singular para extirpar grande parte da corrupção historicamente entranhada nos negócios públicos/privados. Para isso, os meios de comunicação precisam cumprir com a sua missão de informar da maneira mais isenta possível, ajudando a promover uma limpeza política que afaste da vida pública e empresarial os corruptos, sejam de qual partido ou setor da economia for. Mas a mídia assumiu um lado, nada probo, nada ilibado.

Pior ainda é que estamos há mais de dois anos sem informações diárias importantes sobre o Brasil. Sempre se mostrou muito pouco das milhares de boas notícias que acontecem nas periferias e comunidades país afora. Agora, com enormes espaços destinados às mesmas notícias seletivas repetidas à exaustão em uníssono pelos diferentes meios, menos tempo sobra para noticiar as transformações que vêm ocorrendo no mundo da cidadania e da solidariedade por ações de instituições sérias e brasileiros anônimos.

Prova disso foi quando, no dia 2 de junho, os apresentadores do telejornal de maior audiência no país anunciaram uma reportagem sobre um belíssimo gesto de pessoas solidárias a um brasileiro pobre de bens e nobre de caráter. Eles apresentaram assim a vinheta ‘Brasil Bonito’ para introduzir a reportagem: “a gente até lembrou de recuperar, no fundo de algum armário, uma vinheta que não aparece há muito tempo por aqui”.

Sim, todo o tempo gasto com repetições intermináveis da mesma notícia em todos os telejornais, por dias seguidos sem uma única novidade ou prova, custa uma desinformação estrondosa dos brasileiros sobre o país que eles mesmos estão construindo, à revelia dos poderes político, econômico e do judiciário. Tais atitudes deveriam merecer, todos os dias, o espaço nobre das emissoras de TV e rádio e das páginas de jornais e revistas.

O desvio de uso dos meios de comunicação no Brasil não é menos grave do que a corrupção que eles tanto alardeiam. Porque a falta de boas notícias gera uma cultura social sem boas referências. E não pode ser essa a cultura de nação que desejamos ter nos anos vindouros.

Elson Faxina
Jornalista, professor e pesquisador da UFPR, assessor da Pascom no Regional Sul II da CNBB

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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