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O elenco das leituras da missa dentro do Ano Litúrgico

Deus nos reúne como assembleia, corpo místico de Cristo, para celebrarmos de forma ativa, consciente e frutuosa o Mistério Pascal (vida, paixão, morte e ressurreição) de Cristo, através do tempo litúrgico que é a ritualização do tempo histórico-salvífico, ou seja, a celebração dos acontecimentos em que a salvação de Deus se manifesta. Fazemos memória e atualizamos fatos, vivenciando um novo Kairós “favorável ao homem” (cf. 2 Cor 6,2).

O Concílio Vaticano II acentuou a importância da Palavra de Deus na liturgia, resgatando o quanto é significativo que a assembleia dos batizados escute a Palavra, compreenda-a e lhe responda de forma plena através dos cantos e orações. “A fim de que a mesa da Palavra de Deus seja preparada com mais abundância para os fiéis, devem abrir-se com maior amplitude os tesouros da Bíblia”. (IGMR 34; cf SC51)

Os textos bíblicos proclamados na liturgia encontram-se no Lecionário onde estão dispostos os textos das Sagradas Escrituras e os hinos correspondentes, selecionados e organizados para serem proclamados na assembleia. “Os livros que contém as leituras da Palavra de Deus [...] suscitam nos ouvintes a recordação da presença de Deus, que fala a seu povo”. (OLM 34)

Tanto os textos bíblicos quanto a organização do Lecionário seguem alguns critérios:

 Apresentar o Mistério da salvação para a assembleia de forma integral;

 Criar uma harmonia entre o núcleo do mistério da salvação, ou seja, a páscoa de Cristo com outras temáticas, como por exemplo, o Reino de Deus, o papel do cristão no mundo de hoje, etc;

 Mostrar que o ano litúrgico é a forma ideal e prática de se apresentar aos fiéis o anúncio e o desenvolvimento do mistério da salvação;

 Reservar os textos bíblicos mais significativos para o Dia do Senhor e para as festas;

 Nos Domingos e festas serão introduzidas três leituras: Antigo testamento (palavra profética), das Cartas (palavra apostólica) e o Evangelho (palavra evangélica).

A partir destes critérios foi realizada a distribuição das leituras bíblicas segundo o ciclo de três anos, o que permite aos fiéis o conhecimento de toda Palavra de Deus e uma atualização da mensagem através de uma explicação adequada. Durante todo o ano litúrgico, sobretudo no Ciclo Pascal e no Ciclo do Natal, a distribuição das leituras levam, de maneira processual, a um conhecimento mais profundo, por parte dos fieis, da fé que professam e da história da salvação.

À luz das orientações do Concilio Vaticano II, o conjunto de leituras para os domingos e festas foi organizado em um período de três anos, onde em cada celebração eucarística temos a primeira leitura do Antigo testamento; a segunda leitura do Apóstolo (as Epístolas, o Apocalipse) e a terceira do Evangelho. Enfatizando a unidade entre os dois Testamentos e a História da Salvação, tendo em Cristo e em seu mistério pascal a centralidade.

O ano de cada ciclo é regido pelo Evangelho sinótico que se proclama durante o Tempo Comum sendo o ANO A – Evangelho de Mateus; ANO B – Evangelho de Marcos; ANO C – Evangelho de Lucas. Assim ao final de um ciclo de três anos teremos uma leitura abundante da Sagrada Escritura. O Evangelho de João completa as leituras do ANO B, além de ser reservado pela Igreja para tempos privilegiados da Quaresma e da Páscoa.

Andrea Almeida Martins

Teóloga e Liturgista

ENTRADA DA BÍBLIA: CONVÉM OU NÃO CONVÉM?

Durante a celebração da Eucaristia ou da Palavra, dois livros são de extrema importância: o lecionário (para a proclamação das leituras) e o Evangeliário (para a proclamação do Evangelho). Quando o diácono está presente, ele faz a entronização do Evangeliário na procissão de entrada e o deposita sobre o altar. Na sua ausência, o lecionário pode ser introduzido por algum dos leitores e colocado sobre o ambão. Assim, se houver a entronização na procissão de entrada, não deve ocorrer em outro momento, bem como usar outro livro que não o lecionário ou Evangeliário, para evitar a duplicidade de ritos e símbolos dentro da mesma celebração.

Andrea Almeida Martins

Teóloga e Liturgista

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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