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O desprendimento como opção

“Só Deus basta!
Nada te perturbe,
nada te amedronte.
Tudo passa,
a paciência tudo alcança.
A quem tem Deus nada falta.
Só Deus basta!”
Santa Teresa D’Ávila
Ao começar a escrever sobre o tema “o desprendimento como opção”, veio à minha mente as inúmeras campanhas denominadas de “desapego”. Parecia uma direção interessante a ser assumida no texto, principalmente se o escopo fosse apaziguar consciências que se satisfazem com doses homeopáticas de caridade periódica, especialmente em algumas datas marcantes do ano.

No contexto cristão de verdade – e em sua radicalidade (raiz que dá firmeza), o desprendimento não é somente o “desapego” a algo que sobra em nossa residência, mas uma opção fundamental e radical por Jesus Cristo, como bem ilustram a vida e a obra dos Santos, Mártires e Bem-Aventurados.

O poema de Santa Teresa D’Ávila traduz singelamente a profundeza da mensagem do Evangelho segundo São Mateus (6, 24-34), cujo conteúdo foi sintetizado pelos tradutores da Bíblia de Jerusalém tão expressivamente com a frase “Abandonar-se à Providência”. E não é mera coincidência esta perícope estar em fluxo contínuo ao texto sobre as “bem-aventuranças”.

Os princípios expressos no Catecismo da Igreja Católica – elencados abaixo – indicam cristalinamente o sentido cristão do desprendimento como opção de vida:

> A Divina Providência são as disposições pelas quais Deus conduz sua criação para a perfeição, servindo-se da ação de todos nós para o cumprimento do seu desígnio. Assim, Jesus pede uma entrega filial à providência do Pai Celeste, que cuida das mínimas necessidades dos seus filhos.

> A “pobreza de coração” exigida por Jesus Cristo pressupõe a renúncia aos bens por causa Dele e do Evangelho. Por isso, o preceito do desprendimento das riquezas é obrigatório para entrar no Reino dos Céus; sendo que o apego às riquezas contra o espírito da pobreza expressa nos Evangelhos, impede alcançar a perfeição da caridade.

> A confiança em Deus prepara as pessoas para a alegria dos pobres, pois verão a Deus, que é a felicidade plena. O desejo da felicidade verdadeira nos liberta do apego sem limites aos bens deste mundo.

Portanto, o desprendimento como opção cristã requer um verdadeiro e profundo combate espiritual diário – entendido na perspectiva de São Paulo – para superar a busca do poder terreno e investir todas as forças na busca do Reino de Deus, que pressupõe – como bem esclarecido na Sagrada Escritura e na Doutrina Social da Igreja – a solidariedade com os empobrecidos.

Vitor Nunes Rosa
Professor de Filosofia na Faesa

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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