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O CORPO NA LITURGIA

foto extra outubro 06O Mistério da Encarnação legítima, o culto da Nova Aliança, que é a celebração da paixão, morte e ressurreição do Senhor. A vontade do Pai em relação ao Filho concretizou-se corporalmente: “Por isso, ao entrar no mundo, Cristo afirma: Tu não quiseste vítima nem oferenda, mas formaste-me um corpo. Não foram do teu agrado holocaustos nem sacrifícios pelo pecado. Por isso eu disse: Eis que eu venho. No livro está escrito a meu respeito: Eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade.” (Hb 10,5-7). Deus é visibilizado segundo a imagem do seu Filho (cf. Jo 14,8-9 e Cl 1,15).

A assembleia reunida para celebrar a liturgia é o primeiro sinal sensível da presença do Ressuscitado (cf. Mt 18,20), no exercício ministerial de sua obra reconciliadora, a qual é inclusiva e de inigualável eficácia (cf. SC 7). Os batizados, ao formarem um só corpo onde Cristo é a cabeça, vivem a continuidade do Ano da Graça do Senhor.

Na liturgia, o corpo tende a criar atitudes consonantes com a potencialidade vivificadora da Palavra, mediante a razão e o afeto. A Palavra dá o tom de uma celebração, em perspectiva pascal. Quem a proclama é instrumento do Verbo, o qual desperta os ouvidos do povo reunido (cf. Is 50,4b-5), exortando-o à conversão e conduzindo-o à comunhão e consequente compromisso de vida em expansão.

Os que se assentam para a Liturgia da Palavra evidenciam, em atitude, que são discípulos atentos, à escuta do Mestre; o corpo se coloca em estado de acolhida, vigilância e discernimento, na perspectiva do diálogo da Aliança. Ao levantarem-se, expressam simbolicamente a sua realidade de ressuscitados em Cristo, ora para indicar a culminância da proclamação da Palavra, com o Evangelho, ora para narrar as maravilhas da criação e salvação através da ação de graças, durante a oração eucarística.

Nos ritos iniciais da Liturgia Eucarística (ou unicamente da Palavra) os ministros que entram em procissão inclinam-se diante do altar em sinal de reverência ao Mistério, pois o altar é o próprio Cristo. Outras atitudes acontecem: os olhares atentos diante do acendimento do fogo (velas, círio pascal); a alegria e o reconforto na vivência da aspersão com água; o sentimento de elevação interior durante a incensação; a convicção e a gratidão de comer e beber os dons eucarísticos em sinal de comunhão com o Cristo e seu Reino. Quais outros gestos você recorda das celebrações, percebendo os movimentos do corpo e os seus significados?

As expressões corporais na liturgia sinalizam a adesão dos fiéis ao Mistério, mediante uma atitude interior, de fé. O corpo fala e traduz em postura a liberdade e a plenificação estabelecidas pelo Verbo Jesus Cristo, autor da nova criação.

Fr. José Moacyr Cadenassi
Frade Franciscano Capuchinho, Letrista de música litúrgica, Assessor de liturgia, Agente do ecumenismo e do diálogo inter-religioso.

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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