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O caminho de conversão e de vida nova

O período da Quaresma é marcado por um apelo à conversão que a Igreja dirige aos seus filhos e filhas, marcando esse tempo pela oração, pelo jejum e pela caridade fraterna. A acolhida da Palavra de Deus é o espaço onde nasce a verdadeira conversão, como a etapa de um percurso que leva o cristão a uma vivência dos valores do Evangelho na vida diária. Nesse espaço de conversão, a acolhida do Reino faz com que o fiel se torne discípulo de Cristo, seguindo seus passos e vencendo todas as tentações do caminho do discipulado missionário.

Desde o primeiro domingo da Quaresma, a proposta apresentada, por meio da Liturgia, é de um forte apelo à conversão, algo que vem proposto, de forma enfática, pela voz de João Batista. De fato, depois de relatar o caminho vitorioso de Jesus no deserto, em meio às tentações, o texto do Evangelho é concluído com o apelo de Batista, dirigido a todos: “O Reino está próximo!”. (sugestão de corte) Por isso, acolher o caminho de conversão é a proposta para todos os que desejam vencer as tentações do caminho do deserto da vida, na busca sincera da conversão e da vida nova. Tal apelo é mais do que uma proposta que se reduz ao período da Quaresma, mas deve ser recebido como algo que quer ir além disso, ou seja, é um apelo dirigido a todos, a fim de que se coloquem no caminho do discipulado missionário. Nesse caminho proposto, aqueles que seguem Cristo desejam abraçar a sua proposta e seguir seus passos, isto é, iniciar o caminho rumo à vontade do Pai. Sendo assim, a conversão é mais do que uma mudança superficial, visto que a verdadeira mudança deve tocar as bases da vida de cada um, lá onde as decisões mais radicais são tomadas.

Desse modo, o apelo de João Batista deve ecoar no coração de todos, convidando a uma revisão de vida, diante da Aliança amorosa de Deus com os seus. Acolher as opções de Cristo, fazer com que a sua Palavra e a sua Missão seja a de cada um, isto é o sinal de uma verdadeira conversão. Nesse caso, aderir à conversão não é algo que se reduz a um setor da vida, mas deve perpassá-la por inteiro, isto é, torna-se um caminho iniciado que deve ser percorrido sempre. Ou seja, um percurso, passos dados em todos os momentos da vida, no qual os valores do Evangelho são assimilados e as opções de Cristo são vividas e promovidas. Tudo isso se dá, pois Deus que ama os seus filhos e filhas, propõe a renovação de sua Aliança de amor, que é vivida no processo de conversão e da busca da vida nova. Na vivência dos valores do Evangelho, o fiel é chamado a rever as suas posturas e escolhas, visto que, ao se colocar no seguimento de Jesus Cristo, ele é convocado a ter posturas e um vida nova. Essa nova vivência é marcada pelos valores do Evangelho, pois, como dizia São Paulo, todos são chamados a ter os mesmos sentimentos de Cristo Jesus. Desse modo, o processo de conversão e a busca da vida nova, transformam radicalmente a vida daquele que se coloca diante da graça de Deus, de modo que seja capaz de assumir a sua vocação mais profunda como discípulo de Cristo. A fim de que as atitudes diárias reflitam a fé professada e vivida, deixando transparecer assim a força da graça, dom do Espírito Santo que trabalha nos corações.

Que a Quaresma, tempo de grande graça e conversão, torne-se para todos um período de revisão de vida, busca da conversão e da vida nova, a fim de que todos iluminados e tocados pelo amor de Deus, renovem com Ele a sua Aliança de comunhão e amor. De modo que no deserto do dia a dia, todos, acompanhados por Cristo, sejam fortalecidos em sua luta contra as tentações, principalmente aquela do abandono do caminho do discipulado missionário. Que as escolhas de vida de cada um reflitam a defesa da vida e a busca da construção de caminhos de paz e solidariedade, sinais claros da adesão à proposta de Jesus Cristo.

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Pe. Andherson Franklin
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e doutor em Sagrada Família

 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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