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O CAMINHO DA VIDA E O CAMINHO DA MORTE

Este é o título do primeiro capítulo do Catecismo presente nas primeiras comunidades cristãs logo após a morte do Senhor. Chamava-se Didaqué, pois fora escrito em grego e se destinava principalmente para as comunidades da Palestina e da Síria. Este documento permite um mergulho na vida das primeiras comunidades, para conhecer sua maneira de ser e viver. Retrata de maneira impressionante a tradição viva dessas comunidades.

Permite-nos saber como era feita a iniciação cristã, como eram as celebrações e como os cristãos se organizavam e viviam em comunidade. Sua preocupação central era estabelecer uma orientação para os cristãos que viviam em ambiente pagão, a fim de não serem explorados ou manipulados por aproveitadores disfarçados de profetas. A perseverança na fé estava alicerçada na instrução do Senhor pregada pelos apóstolos.

O primeiro capítulo da Didaqué apresenta dois caminhos: o da vida e o da morte. Não parte de nenhuma doutrina, nenhuma lei, nenhuma norma. Indica a existência de dois caminhos para as pessoas da comunidade.

O caminho da vida está marcado pelo amor a Deus acima de tudo e o amor ao próximo como a si mesmo. Ter Deus como centro do nosso amor implica em renunciar a toda idolatria. Amar a Deus não se reduz a ir à Igreja todos os domingos.

O amor a Deus se completa de maneira radical com o amor ao próximo, que não é um amigo ou semelhante, mas o diferente, o inimigo, o distante. Diz o texto que também os pagãos amam seus amigos e iguais. O cristão deve ser capaz de amar os inimigos, os que lhe batem na face.

E termina o caminho da vida com a questão da solidariedade. É preciso dar sem pedir nada em troca. A fé não se fortalece numa vida mercantil de barganhas e trocas de favores. A solidariedade é o caminho que nos conduz na fé e nos fortalece e isso está expresso na capacidade de distribuir e partilhar os bens que recebemos, pois “o Pai quer que seus bens sejam doados a todos”. O amor ao próximo assim se torna concreto e assim nos aproxima ainda mais ao Amor a Deus.

Edebrande Cavalieri
Doutor em Ciência da Religião

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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