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Novembro marrom

Os alertas têm cor. Amarela em setembro de prevenção ao suicido; rosa em outubro dedicada à atenção das mulheres para com o câncer de mama; azul em novembro significa cuidado dos homens com os perigos do câncer de próstata. Ao azul de novembro há que se acrescentar o marrom para que todos se recordem do ‘tumor que veio a furo’ em Mariana há dois anos.

Tumor sob forma de crime ambiental provocado pela Vale/BHP/Samarco que se tornou uma tragédia pessoal, social, ambiental e econômico ao longo do Vale do Rio Doce e da costa capixaba. Vidas ceifadas; degradação de águas e solos; biodiversidade comprometida; produção familiar no campo e em águas interrompida, sabe-se lá por quanto tempo; desalento social para inúmeras comunidades; inviabilidade econômica para micro, pequenos e médios empreendimentos.

Perdas, degradações e desalentos provocados por conluio de empresas – que buscaram soluções fáceis e baratas para questões complexas – e de poderes públicos – que se omitiram na defesa do bem comum. Conluio gerador de atrocidades que precisam ser lembrados para que sejam evitados agora e no futuro.

Lembrança que deve ter a contundência de registros feitos com perdas provocadas por omissões que levaram a tragédias. Registros em todo o território atingido, com atos e obras que despertem a indignação continuada com o ocorrido.

Atos que podem ir de reuniões comunitárias simples em igrejas, praças, a eventos culturais mais longos para o registro da lembrança do ocorrido em novembro de 2015. Obras que marquem em praças, ruas, espaços culturais a magnitude do ocorrido e o que dele resultou para pessoas, grupos sociais e comunidades em todo o território atingido pelo resultado da irresponsabilidade de empresas e de instâncias do poder público.

Obras sob a forma de monumentos, espaços dedicados à cultura e à convivência social. Obras sob a forma de registros escritos, musicais, teatrais, das artes plásticas e áudios visuais que reflitam a dimensão de irresponsabilidades que resultaram em crime ambiental e em tragédia social e econômica.

Obras que sejam fruto de participação de pessoas e de grupos sociais e que tenham como perspectivas maiores necessários alertas contra a impunidade dos responsáveis pelo acontecido. Acontecido que deve ser registrado e denunciado de forma contundente para que sua repetição no futuro seja de possibilidade menor.

Reiterar denúncias do ocorrido com contundência é necessário mas está longe de ser suficiente. Necessário se faz mobilizar forças e cores para que o futuro seja mais ameno e colorido. Que o futuro do marrom da tragédia de hoje abra espaço para o verde de esperança por um vale do Rio Doce e por uma costa capixaba mais patrimônio social e menos à mercê de atos irresponsáveis.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia
arlindo@villaschi.pro.br

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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