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Natividade de Nossa Senhora

A Festa da Natividade de Nossa Senhora, originada em Jerusalém no final do século V, tem um contorno especial na Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo: é o dia de sua Padroeira, Nossa Senhora da Vitória. Com base na abordagem canônica da Sagrada Escritura, interpretando cada texto bíblico no interior do único desígnio de Deus, vemos Maria como a Mulher Vitoriosa em seu Filho Jesus Cristo: do Gênesis (3,15) ao Apocalipse (12), passando por João 2 (Bodas de Caná) e João 19, 26 (Paixão: “Mulher, eis o teu filho”).

O Papa Paulo VI, na Exortação Apostólica Marialis Cultus (nº 7), acentua que a Festa da Natividade de Nossa Senhora comemora um dos eventos salvíficos nos quais a Virgem Maria esteve intimamente associada ao Filho, e “constituiu para o mundo inteiro motivo de esperança e aurora da salvação” (Missal Romano, Oração depois da Comunhão).

A Igreja expressa com convicção que a Natividade, isto é, o nascimento de Maria está intimamente ligado a Cristo, como promessa, preparação e fruto da Salvação. Nossa Senhora é a Aurora que vem antes do Sol da Justiça, anunciando antecipadamente a todo o mundo a alegria do nascimento do Salvador (BERGAMINI, 1994, p. 469).

Maria é a Nova Eva, Aurora do Novo Testamento, afirma o Papa Paulo VI, retomando as bases teológico-doutrinais da Patrística, especialmente São Justino e Santo Ireneu. Em Maria, refulge a Nova Eva, a excelsa Filha de Sião, o ponto mais alto do Antigo Testamento e a Aurora do Novo Testamento, na qual cumpriu-se o “tempo previsto” (Gl 4,4), predestinado por Deus Pai para enviar o seu Filho Único ao mundo (Signum Magnum, nº 10).

Nesta linha de raciocínio, o Papa Paulo VI ensina – no caminho da tradição católica, expressa na Constituição Dogmática Lumen Gentium do Concílio Ecumênico Vaticano II – que, na Virgem Maria, tudo é relativo a Cristo e dependente Dele: foi em vista Dele que Deus Pai, desde toda a eternidade, a escolheu Mãe toda santa e a plenificou com dons do Espírito a ninguém mais concedidos (Marialis Cultus, nº 25).

Contemplando a humilde Virgem de Nazaré no brilho de sua glória expressa nas suas prerrogativas e virtudes concedidas como graça por Deus em razão dos méritos do seu Filho, o Papa Paulo VI exorta-nos a colocar em prática o ensinamento da Constituição Dogmática Lumen Gentium (nº 67): todos nós devemos nos lembrar que a verdadeira devoção não consiste numa emoção passageira, superficial e sem frutos sinceros de conversão, mas nasce da fé, que nos faz reconhecer a grandeza da Mãe de Deus e nos conduz a amar como filhos a nossa Mãe e a imitar suas virtudes (Signum Magnum nº 8).

Vitor Nunes Rosa
Professor de Filosofia na Faesa

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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