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Natal para todos

Francisco, nosso querido Papa, determinou que no Trigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum celebrássemos “O Dia Mundial dos Pobres”.

Entendo que ele, ao fazer-nos esta proposta, esteja com uma intenção mais ampla do que a pessoa do pobre. A questão que nos deve preocupar não é simplesmente fixarmos uma data que faça com que todos nos lembremos com misericórdia do pobre. Acredito que a intenção de Francisco seja provocar na Igreja e, com certeza, nas pessoas de boa vontade, uma nova mentalidade em relação aos pobres e à pobreza em geral entre os seres humanos. Ele está muito bem informado sobre a miséria humana espalhada no mundo inteiro. São milhões de miseráveis à espera de um coração bondoso, de mãos estendidas, gemendo, chorando ou gritando: “Eu quero viver”, “Eu quero paz”, “Tenho sede, “Estou com fome”, “Onde está minha mãe”?

O dia do pobre deve gerar entre nós uma nova mentalidade. Há diversas situações no mundo a exigir de nós novos gestos de misericórdia diante de nossos semelhantes, nas diferentes etapas da vida humana, desde a gestação no ventre materno, seguindo para primeira e segunda infância, adolescência, juventude, idade adulta até o entardecer humano. Todos precisam ser tratados com dignidade e como criaturas e filhos e filhas de Deus.

Francisco, ao falar sobre o dia do pobre, espera de nós um grande empenho de conversão pessoal, eclesial e pastoral.

Há poucos dias, tomei conhecimento de alguns dados esclarecedores, provenientes do CadÚnico ou inscritos no mesmo.
Passo-lhe a título de informação e convidando-o a uma reflexão séria e comprometedora sobre estes dados oficiais:

  •  São considerados de Baixa renda: quem ganha até 1/2 salário mínimo de renda per capita mensal (R$ 468,50) ou até 3 salários mínimos de renda mensal total (R$ 2.811,00).
  •  Miserável ou pobreza extrema ou pobreza absoluta: Quem vive abaixo do rendimento mínimo, isto é, “renda per capitã” mensal de até R$ 85,00 (padrão definido pelo Governo Federal) ou 01dólar/dia, isto é, R$ 93,00/mês (padrão definido pelo Banco Mundial).
  •  Estão inscritos no programa Bolsa Família (PBF)
  • Pobre: que ganha entre R$ 85,00 e R$ 170,00 de renda “per capita” mensal.
  • Cito-lhes, agora os dados da pobreza na Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo com base nas informações do mesmo CadÚnico de 26 de setembro de 2017:

• 227.314 pessoas na pobreza extrema (miserável) e inscritas no CaUnico.
• 73.711famílias na pobreza extrema inscritas no cadUnico.
• 102. 326 famílias baixa renda.

Pois bem, eis os dados que devem tocar a nossa consciência cristã. Não podemos ficar apenas com o “O Dia do Pobre”. É preciso que esta data e a movimentação em torno da Campanha da Arquidiocese de um “Natal para Todos” nos levem além de um assistencialismo provisório e, de fato, “ensinemos a pescar”. Urge, entre nós, a caridade cristã inteligente e promotora do bem social, ágil “subindo as montanhas com pressa” como o fez a Mãe de nosso Salvador, cujo Encontro conosco veio proclamar a Revolução do Amor e da Ternura neste mundo tão distante e arraigado no ódio.

Assim, haverá um Feliz Natal para todos!

Dom Luiz Mancilha Vilela, ss. cc.
Arcebispo de Vitória ES

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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