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Natal com fome

A celebração maior dos cristãos será feita neste ano de 2017 no Brasil com a triste sensação de empobrecimento social. Empobrecimento provocado por um governo ilegítimo apoiado por um congresso igualmente ilegítimo que promoveram retrocessos sociais, políticos e econômicos no país. Retrocessos que colaboram para um Natal com fome.

Fome de inclusão social que fica cada vez mais distante diante dos retrocessos promovidos pela emenda constitucional do teto dos gastos. Junto com o congelamento de despesas por 20 anos em áreas de importância como a saúde, a educação, a assistência social, dentre outras, a emenda constitucional, estanca um processo de inclusão conquistado no processo de elaboração da Carta Constitucional de 1988. Conquista feita graças à forte mobilização popular em favor de direitos sociais, compatíveis com o patamar econômico alcançado pelo Brasil.

Direitos sociais que foram retirados em favor de interesses de uma minoria, cujos rendimentos financeiros são mais do que assegurados. Interesses de uma minoria em detrimento de programas de inclusão como o Bolsa Família e a universalização do acesso a serviços de saúde. E mais, em detrimento do combate à pobreza entre gerações através de acesso ampliado dos mais pobres ao sistema educacional, inclusive em nível dos ensinos técnico e universitário.

Natal com fome de justiça social que se torna mais distante na medida em que foram retirados direitos conquistados pelos trabalhadores ao longo de boa parte do século XX. Direitos que, mesmo diante de salários baixos, asseguravam um mínimo de garantias à força de trabalho que constrói o crescimento do Brasil no dia-a-dia. Garantias que se transformavam em rendimentos que impulsionavam a demanda por bens e serviços produzidos por micro, pequenas e médias empresas que empregam o maior contingente de trabalhadores. Empregos que impulsionavam o círculo virtuoso do crescimento.

Crescimento cada vez mais distante diante do dogmatismo da política econômica do governo ilegítimo que prega uma liberdade de mercado que só favorece à classe dominante. Classe dominante que continua se beneficiando de anistias fiscais, refinanciamento de tributos devidos, acesso privilegiado a gastos do governo, dentre outros. Classe dominante privilegiada por um sistema tributário regressivo; que desconhece mecanismos de equidade fiscal como o do imposto sobre grandes fortunas, há muito praticado em países mais desenvolvidos.

Natal com fome após mais de uma década de retirada todos os anos de milhões de brasileiros da linha de miséria e de pobreza; Natal com fome porque neste 2017 que se finda, milhares de compatriotas retornaram à pobreza e à miséria.

Retorno que exige do espírito cristão, a compaixão; compaixão que precisa ir além da filantropia que move a todos no momento das celebrações natalinas. Compaixão para com a pobreza na direção indicada pelo Papa Francisco ao instituir o Dia Mundial dos Pobres: “Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade”.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia
arlindo@villaschi.pro.br

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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