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NÃO TENHAIS MEDO! CONFIAI E O VOSSO CORAÇÃO REVIVERÁ

Omedo é uma experiência própria da fragilidade da condição humana e nasce na sensação de ser colocado em alguma dificuldade, quando o homem se sente incapaz ou impotente diante de algumas realidades que a ele se apresentam. Na Sagrada Escritura, é de conhecimento geral que o mundo não acolhe e nem recebe bem os profetas, já que a maioria deles foi perseguida e rejeitada. Sabendo disso, Jesus ao se dirigir aos seus discípulos com as palavras: Não tenhais medo, tem o intuito de fortalecê-los no momento em que são enviados para a missão de anunciar o Reino dos Céus. O desejo do Mestre é o de que os discípulos não se deixem perturbar pelas dificuldades e sejam tomados e paralisados pelo medo, mas se sintam acompanhados e guiados por sua presença.

A primeira vez em que o Senhor se dirige aos seus, convidando-lhes a não ter medo, está relacionada com a força da Palavra por eles anunciada. O Senhor lhes dá a garantia de que é o próprio Deus que os sustentará na proclamação da Palavra e que a fará conhecida por todos. A segunda ocorrência está ligada ao medo da morte, isto é, do limite humano e de sua fragilidade. Nesse caso, Jesus, mais uma vez, coloca a vida dos seus discípulos nas mãos de Deus, convidando-os a confiar na providência divina que nunca falha para aquele que a Deus se dirige. Por isso, o testemunho dos discípulos deve ser sem nenhum medo que paralisa e rouba o vigor, mas, corajoso e fiel, mesmo diante da violência que rouba a vida e procura ceifar a esperança. Por fim, o último convite de Jesus à confiança, que supera todo o medo, está relacionado com a certeza, que os discípulos devem ter a certeza de o olhar do Senhor está sempre pousado sobre os seus. Nada ocorre na vida daqueles que a Ele seguem e se entregam sem que o seu olhar amoroso permita, isto é, a vida dos discípulos está nas mãos do Senhor, muito mais bem cuidada do que os lírios e os pássaros dos campos.

Com tais palavras, o Senhor convida os seus discípulos a uma liberdade de coração e a uma confiança que nascem na experiência de serem amados, acolhidos e, por Ele enviados. Pois, ao enviá-los em missão deseja que levem a certeza de que o testemunho, a defesa da vida, o serviço aos que mais precisam fazem parte da Fé que professaram aos pés do Mestre. Desse modo, a superação do medo e da incerteza ocorre quando colocam no Senhor a sua confiança e se recordam de serem sempre por Ele acompanhados. Sendo assim, todos os que hoje ouvem as Palavras de Jesus e acolhem o testemunho dos primeiros discípulos, devem reconhecer, em seus corações, o mesmo chamado do Senhor e, a exemplo dos discípulos devem desejar abraçar, com coragem a mesma missão.

Sendo assim, a superação do medo e vivência da confiança são um desafio constante na vida daqueles que desejam trilhar o caminho do discipulado missionário. De fato, no Salmo 68, o salmista convida a todos a depositarem no Senhor à sua confiança, quando afirma: “humildes, vede isto e alegrai-vos: o vosso coração reviverá”. O salmo em questão se relaciona diretamente àquele que reconhece, que percebe em sua vida os cuidados de Deus. Algo muito sentido pelos profetas, chamados a denunciarem, com coragem, as injustiças cometidas contra o povo, sem medo da perseguição por parte dos poderosos de seu tempo. De fato, diante das injúrias e mentiras que viam cair sobre si mesmos, os profetas se voltavam para o Senhor e colocavam Nele a sua total confiança. A sua experiência de fé estava baseada na certeza de que o Senhor que os chamou e os enviou estaria sempre ao seu lado.

Assim deve ser o coração de todo aquele que deseja seguir o Senhor no caminho do discipulado missionário, já que, a exemplo dos profetas e dos discípulos também enfrentarão situações difíceis e passarão por provações em seu caminho. O que garantiu a coragem e a superação do medo no coração dos que decidiram abraçar o Evangelho e anunciá-lo com vigor e coragem, foi a certeza e confiança que tinham de que as promessas divinas são sempre mantidas. O Senhor sustenta o vigor do que chama para o caminho do discipulado, sustentando e dando vigor à sua vida, de modo que possam manter vivo o anúncio do Evangelho e a denúncia das injustiças, cometidas contra os pequenos e pobres. A coragem de ser testemunha de Cristo e defensor da vida, nasce no coração dos que ao Senhor seguem, pois Ele jamais os deixará sozinhos no caminho. A garantia de que a alegria não seja roubada pelo medo e de que a confiança não sucumba diante das dificuldades encontradas é a união íntima com o Senhor, que continua a dizer hoje, o que disse aos seus discípulos: “não tenhais medo”.

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Pe. Andherson Franklin
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e doutor em Sagrada Escritura

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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