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Mude você para mudar o mundo

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Reduzir o tempo do banho, fechar a torneira ao utilizar o sabonete e o shampoo, não lavar calçada com mangueira e verificar se as torneiras não estão gotejando são pequenos hábitos do cotidiano que ouvimos desde muito tempo atrás, como prevenção para um futuro sem água. Economizar energia elétrica, não descartar lixo nas ruas e fazer a coleta seletiva também são atitudes cidadãs que contribuem para um planeta mais limpo e sustentável. Antes do que muita gente poderia prever, a natureza resolveu pedir socorro: o calor sufoca, o desmatamento cresce e a água, um bem tão abundante, virou motivo de preocupação por causa da crise hídrica que atinge vários estados do país, em particular o Espírito Santo. Campanhas de conscientização se multiplicam para que a população poupe este recurso essencial para a vida humana.

O Papa Francisco também mostrou-se, mais do que preocupado, atento à situação caótica de desrespeito e irresponsabilidade com a ‘casa comum’, deixando um alerta que norteia a nossa existência: “o nosso corpo é constituído pelos elementos do planeta; o seu ar permite-nos respirar, e a sua água vivifica-nos e restaura-nos”. Pensando na situação em que chegamos e, mais ainda, aonde queremos chegar, resolvemos reunir exemplos de atitudes sustentáveis, a contribuição de pessoas que, assim como eu e você, pode se comprometer em pequenos gestos no dia a dia para melhorar a relação com o meio ambiente.

Henrique partiu de um pensamento básico, a gratidão pela sua vida e o que pode fazer para proteger os recursos que possibilitam a nossa existência. “Tudo partiu de uma necessidade que todo ser humano tem de responder às questões mais essenciais: “O que estou fazendo aqui no mundo? Qual meu papel aqui? O que é essencial para minha vida? Sabemos, por exemplo, que as primeiras formas de vida surgiram graças a existência da água. Além disso, não podemos viver muito tempo sem esse recurso e que ele é fundamental para a produção de alimentos, sem os quais também não podemos sobreviver por muito tempo. Portanto, nada mais ético do que priorizar a preservação e recuperação desse recurso”.

Com esse processo de conscientização, ele partiu para a ação e mudança de hábitos: “no princípio é um pouco mais difícil porque, como qualquer mudança de hábito, depende de um esforço de adaptação, mas depois se torna uma atividade espontânea e corriqueira como escovar os dentes, por exemplo”, afirmou. Ele começou com a mudança na alimentação, comprando mais em feiras orgânicas e menos em supermercado. “Isso fez com que eu melhorasse diretamente a minha saúde, além de gerar menos lixo. Passei também a me exercitar mais e aplicar práticas naturais de prevenção de doenças, o que me possibilitou depender muito menos do consumo de remédios farmacêuticos que são provenientes de indústrias poluidoras. Passei a rever também o consumo de produtos supérfluos e industrializados já que esses geram um enorme rastro de poluição na sua cadeia de produção”.

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Como ele mesmo afirma, toda essa mudança foi um processo que surgiu de sua reflexão, passando pela conscientização, pesquisas e estudos sobre quais ações poderiam beneficiar o meio ambiente e sua própria vida e, finalmente, aplicar tudo isso em seu cotidiano. A difusão da consciência ecológica e a necessidade, cada vez mais urgente, de medidas voltadas para a preservação do meio ambiente, fez surgir o termo sustentabilidade, que ampliou o conceito ecológico, atrelando-o à capacidade de “suprir as necessidades da geração presente, sem afetar a possibilidade das gerações futuras de suprir as suas”.

Aliando o fator econômico a essa consciência ambiental, Anderson Brito tornou-se proprietário há dois anos de uma franquia sustentável de lavagem de carros. Ele afirma que com a técnica não se utiliza água em nenhuma parte do processo. “Nem para misturar o produto. Todos os produtos que utilizamos são orgânicos, não precisamos nem de luvas para realizar a limpeza. Lavamos de carros a aviões e embarcações. Agregar o comércio e a sustentabilidade atendeu as minhas expectativas. A consequência de tudo isso é o menor impacto ambiental e a renda gerada.

De acordo com Anderson, com 250 ml de uma composição elaborada com produtos biodegradáveis e naturais, é possível fazer a limpeza dos veículos. “Ao aplicar o produto a sujeira é cristalizada, quebrada em pequenas partículas. Com um pano mesmo tiramos toda a sujeira”. Ele afirma que o começo não foi fácil por ser uma ideia nova. “O primeiro olhar é de impacto e desconfiança, mas ao conhecer o serviço esse sentimento acaba, porque o resultado é realmente incrível”.

Na vida do empresário, os hábitos sustentáveis vêm de família, no cuidado com a fazenda que o pai possui, inclusive com um título alemão de respeito ao meio ambiente, aos direitos trabalhistas, etc. “Eu cresci com esses conceitos muito fortes em minha vida. Na fazenda sempre pratiquei isso, reciclando meu lixo, juntava sacos de adubo e colocava materiais para a reciclagem”. E ele garante que tudo o que aprendeu transmite ao seu filho de 11 anos para que ele crie a mentalidade e leve o aprendizado pelo resto da vida.

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A experiência de Henrique também continua dentro de casa com a adoção de hábitos como a separação de lixo reciclável e a transformação do lixo orgânico em adubo. “Esse processo chama-se compostagem. Todo o adubo produzido é usado nas plantas que tenho em casa e o excedente é doado para amigos. Passei também a germinar sementes das frutas que consumo e repassar as mudas pra quem tem lugar pra plantar”.

Além disso, sentiu a necessidade de dedicar parte do seu tempo para contribuir de forma voluntária para projetos relacionados à conscientização ambiental, divulgando e participando diretamente.

Os exemplos mostrados apontam que para fazer a diferença e a mudança necessária à sobrevivência da nossa casa comum, é preciso consciência de nosso papel no mundo e o que queremos deixar para as futuras gerações, pois, como diz o Papa Francisco em sua encíclica ‘Laudato Si’: “Se nos aproximarmos da natureza e do meio ambiente sem esta abertura para a admiração e o encanto, se deixarmos de falar a língua da fraternidade e da beleza na nossa relação com o mundo, então as nossas atitudes serão as do dominador, do consumidor ou de um mero explorador dos recursos naturais, incapaz de pôr um limite aos seus interesses imediatos”.

Arquidiocese também faz a sua parte

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O chefe de manutenção da Mitra Arquidiocesana de Vitória, Benedito Souza, apresentou há cerca de um ano uma ideia viável que ajudaria o meio ambiente e também reduziria os custos: realizar a captação da água da chuva e utilizá-la para a rega do jardim e limpeza de áreas comuns. A água fica reservada em dois tonéis de 10 mil litros e, para evitar que impurezas cheguem ao tonel, Benedito, ou Amaral, como é conhecido na Mitra, elaborou um filtro que retém as impurezas, não permite o acúmulo de água, evitando o mosquito da dengue, e, em caso de chuva intensa que ultrapasse o limite da caixa, a tampa do filtro abre e a água é absorvida pelo solo, chegando até as plantas e pés de bananeira do terreno. “Além da nossa contribuição para o meio ambiente, também reduzimos os custos com essa medida. É a nossa pequena parcela de ajuda, pois se cada um fizer um pouquinho, conseguimos amenizar a situação que vivemos”, afirmou ele.

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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