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Modinhas versus jejum e abstinência: prescrições e orientações da Igreja

Há uma forte tendência na sociedade contemporânea para afrouxar ou relativizar os valores – conforme as conveniências – e criar “modinhas” – ações de curta duração para satisfazer desejos imediatos. Como dizia Zygmunt Bauman, um dos brilhantes pensadores da atualidade falecido em janeiro de 2017, são princípios e características da “sociedade líquido-moderna”.

Essa onda líquido-moderna afeta inclusive as práticas relacionadas à comunidade cristã. Não é raro identificar propostas de “modinhas” quanto ao jejum e à abstinência – sobretudo na Quaresma.

Para alcançar a “consciência tranquila” do cristão cumpridor de suas obrigações, são oferecidas as “fórmulas mágicas” de autoajuda próprias da liquidez moderna do “deixe de comer chocolate ou beber refrigerante”, por exemplo. E não raras vezes, encontramos pessoas que levam essa “proposta quaresmal” – extremamente mínima e simplista – como se fosse expressão de um profundo processo de conversão e desejo radical de uma vida de santidade.

As prescrições e orientações da Igreja estão muito além dessas práticas simplistas.

O Código de Direito Canônico vigente (cânones 1249 a 1253) – em obediência ao Quarto Mandamento da Igreja – prescreve a prática do jejum e da abstinência, inserida no contexto da observância da penitência, a qual requer também dedicação especial à oração, fazer obras de piedade e caridade e renúncia de si mesmo. Os dias e tempos penitenciais são todas as sextas-feiras do ano (nas quais deve ser observada a abstinência de carne ou de outro alimento, a não ser que coincidam com uma solenidade) e o tempo da Quaresma. O jejum e a abstinência devem ser observados também na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O Catecismo da Igreja Católica (nºs 1438, 1439 e 2043) ensina que o jejum (privar-se de uma refeição num determinado dia, por exemplo) e a abstinência (deixar de comer carne, por exemplo, num determinado dia) fortalecem o nosso combate espiritual, pois contribuem para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração, renunciamos nossas vontades e desejos pessoais colocando-nos nas mãos de Deus para que seja feita a vontade Dele. O jejum, a abstinência e a esmola são privações voluntárias – renunciar às próprias vontades – que nos levam à submissão a Deus, numa dinâmica de conversão e penitência apoiada na misericórdia divina.

Vitor Nunes Rosa 
Professor de Filosofia na Faesa

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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