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MIGRANTES: NO CORAÇÃO DA IGREJA

A história do judaísmo e do cristianismo está permeada de movimentos migratórios. Quem não se lembra do chamado de Deus a Abraão para sair de sua terra e ir para aquela que Ele mostraria? Como esquecer o movimento do êxodo do Egito para a Terra Prometida? Como esquecer na história de Israel o aprisionamento das tribos em outros países – conquista assíria das tribos de Israel e exilio babilônico das tribos de Judá? Como não se lembrar da diáspora dos judeus no ano 70 d. C. com a destruição de Jerusalém? Enfim, parece que a história de judeus e cristãos não se construiu na vida cômoda e sossegada de sua terra natal, mas experimentaram o amargo da vida de migrantes.

A experiência passada não foi suficiente para afastar de tantos governantes e tantas pessoas o ódio aos povos que procuram abrigo nos tempos atuais. Há quem se elegeu colocando no plano de governo a construção de um muro separando dois países, dividindo um continente. O papa Francisco desde o início do seu pontificado sentiu o drama dos refugiados, dos migrantes. E sentencia que “as migrações não se resolvem com ‘barreiras’”. É preciso construir pontes e não muros, aponta o Papa.

Na recente visita ao Marrocos, ao encontrar-se com 80 migrantes da África atendidos pela Caritas Diocesana em Rabat, assegura-lhes que eles não são um “descarte humano” e sim que estão “no coração da Igreja”. O problema migratório é considerado pelo Papa como “uma ferida, grave e grande”, que “brada ao céu”.

E o Pontífice alarga ainda mais o olhar desta ferida: “Quando se constata que são muitos milhões os refugiados e outros migrantes forçados que pedem a proteção internacional, sem contar as vítimas do tráfico e das novas formas de escravidão nas mãos de organizações criminosas, ninguém pode ficar indiferente perante este sofrimento”. Conforme dados da ONU, em junho de 2018 havia no mundo 68.500.000 migrantes, sendo 52% menores de idade. Esta é a chaga humana que muitos cristãos tentam encobrir.

O sentimento cristão da compaixão não pode faltar em todas as comunidades, pois “uma sociedade sem coração representa uma mãe estéril”. O cristão que não consegue se sensibilizar por esta tragédia com compaixão e ações de acolhimento é estéril em sua fé. Trata-se de uma luta pelo direito que cada pessoa tem na terra, “direito ao futuro”, pois a terra é nossa casa comum.

Toda e qualquer ação de acolhimento aos migrantes e refugiados expressa e manifesta o “amor misericordioso de Deus”. Esta questão deveria nortear o caminho de reformas da nossa Igreja (Diocese, Paróquia e Comunidades) inserindo novas ações e novos métodos de acolhimento dos migrantes. Não pode ser apenas da responsabilidade da Caritas Arquidiocesana, mas com a mesma encontrar caminhos que possam garantir um futuro destas pessoas entre nós.

Edebrande Cavalieri
Doutor em Ciências da Religião

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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