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MEU FILHO COME MAL, E AGORA?'

Durante os primeiros anos estabelecemos um comportamento alimentar que pode seguir por toda a infância e ao longo da vida, por isso, o desenvolvimento de bons hábitos alimentares deve acontecer desde cedo, apesar de não ser muito simples.

Os pais, em especial, os cuidadores diretos da criança, e também a família e a sociedade, são importantes agentes que desempenham papel de promotores de saúde, modelos e educadores na vida de pequenos, transmitindo normas, conhecimentos, atitudes e comportamentos, que influenciam a relação com a alimentação.

A verdade é que os bebês começam a vida comendo de tudo e ao longo dos anos, quando crescem, muitos deixam de se alimentar principalmente de frutas e verduras. Quem tem filhos entende muito bem o quanto é árduo ajudar as crianças a desenvolverem uma alimentação saudável e quem passa por essa dificuldade se vê constantemente em conflito. Os pais, como principais guardiões, geralmente fazem o que acham que seja o melhor para a criança e por falta de conhecimento nem sempre fazem a coisa certa.

Entenda: os pais podem controlar o que, quando, onde e quanto seu filho come. Por exemplo, liberar doces e refrigerantes somente no final de semana, deixar comer apenas um bombom ou uma balinha, dentre outros etc. Tal prática é indutora de culpa quando a criança tiver liberdade para comer e não apoia a autonomia. Está associada com o desejo da criança pelo alimento restrito, levando-a a comer em excesso com possibilidade de ganho de peso no futuro.

Crianças que não comem e não se interessam pela comida são motivo de muita angústia e preocupação para os pais que acabam, no desespero, exercendo “pressão para comer”. Essa tentativa de controle desequilibra o emocional da criança e só a afasta mais ainda da comida, contribuindo para o baixo peso.

A pressão para comer pode ocorrer também para que os filhos comam mais alimentos, limpem os pratos mesmo quando não estão mais com fome e comam alimentos saudáveis. Tais atitudes podem ter efeitos no curto prazo, mas com o tempo fazem com que a criança desenvolva aversão aos alimentos que se sentem forçadas a comer e desregulam os mecanismos naturais de fome e saciedade.

Outra tentativa dos pais para estimular os filhos a comerem alimentos saudáveis é usar mecanismos de recompensa, por exemplo, “se comer a verdura, ganha a sobremesa”. Muitos fazem isso sem saber o quanto podem prejudicar a criança. Tal atitude pode reduzir a motivação da criança para comer alimentos saudáveis, fazer a criança aumentar a preferência pelo alimento de suborno, diminuir o gosto pelo alimento alvo e dificultar que a criança experimente naturalmente novos alimentos, pois vai sempre querer algo em troca.

Se seu filho tem dificuldades para comer, não tente dominar, pressionar ou impor sua vontade, faça da refeição um momento agradável em família e não um cabo de guerra. Incentive-o a provar novos alimentos, diga que tudo bem se não gostar, socialize a criança em torno da comida, coma junto com ele, leve-o para preparar um prato com você, tenha alimentos saudáveis e variados em casa, evite restaurantes fast-foods, seja o exemplo, exponha a criança repetidamente a um alimento, desligue a TV na hora das refeições, leve-o para as compras com você e acima de tudo tenha paciência.

Mariana Herzog
Nutricionista e Sócia proprietária da Dietética Refeições

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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