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Maria, mãe do Senhor

Estamos no período das tradicionais festas juninas. A piedade popular e a expressão cultural caminham juntas nas festas dedicadas a Santo Antônio, São João Batista e São Pedro.

Gostaria de destacar a festa de São João Batista, dia 24 de junho, e acentuar um evento da vida deste Santo que tem especial significado nos ensinamentos da Igreja sobre a Virgem Maria.

O relato do evangelista São Lucas (Lc 1, 39-45) sobre a visitação de Maria a sua prima Isabel – que trazia São João Batista em seu ventre – tem um contorno especial no Ano Mariano, sobretudo em razão da exclamação: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite? Pois quando a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria em meu ventre. Feliz aquela que creu, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!”

O termo “Senhor” usado por Isabel para falar de Jesus ainda no ventre de Maria relaciona-se ao título divino de Jesus Ressuscitado (Atos dos Apóstolos 2, 36; Carta de São Paulo aos Filipenses 2, 11), que o evangelista São Lucas já atribui a Jesus Cristo desde a sua vida terrena, conforme acentua a nota explicativa da Bíblia de Jerusalém.

A palavra grega Κύριος (Kyrios) significa “Senhor” e traduz o nome de Deus, indicando a plena divindade de Jesus Cristo, evidenciando-se assim a grandiosidade da afirmação de Isabel ao encontrar-se com Maria grávida, a mãe Daquele em quem “habita a Plenitude da Divindade” (Colossenses 2, 9).

No 3º Concílio Ecumênico de Éfeso – realizado entre junho e setembro do ano 431, a Igreja solenemente proclama o dogma da maternidade divina de Maria – Theotókos, testemunhando e consolidando a fé declarada desde as origens e amplamente defendida pelos Padres da Igreja: Maria é chamada a Santa Virgem Deípara (Mãe de Deus), não no sentido de que a natureza divina ou a divindade tenha origem em Maria, mas no sentido de que, por ter recebido dela o santo corpo dotado de alma racional ao qual estava unido conforme a hipóstase – a natureza humana e a natureza divina (Jesus Cristo, verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus), o Verbo de Deus se diz nascido segundo a carne (o mistério da encarnação).

O Catecismo da Igreja Católica (n. 717. 721. 724) nos ensina que a visita de Maria a Isabel tornou-se assim a visita de Deus ao seu povo. Ela é a Mãe de Deus toda santa, sempre Virgem, é a obra-prima da missão do Filho e do Espírito Santo na plenitude do tempo. E, retomando a prefiguração do Antigo Testamento, Ela é a Sarça Ardente da Teofania (manifestação de Deus) definitiva, mostrando o Verbo na humildade de sua carne.

Vitor Nunes Rosa
Professor de Filosofia na Faesa

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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