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Mais vida nas ruas do centro

A região central da cidade volta às manchetes com o desenvolvimento de novos projetos culturais e opções de lazer.

Caminhar pelas ladeiras e ruas estreitas do Centro de Vitória é, sem dúvida, um passeio pela história. Impossível para frequentadores assíduos, ou mesmo turistas, não perceber a energia cultural presente nas fachadas históricas dos prédios, nos bancos das praças e nos desenhos arquitetônicos das escadarias, ao mesmo tempo mantendo um clima bucólico, típico em cidades do interior.

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Mas nem toda essa tradição centenária, impediu o deslocamento do eixo de desenvolvimento para a Região da Praia do Canto entre as décadas de 70 a 90, o que provocou o esvaziamento do Centro. Com isso, lojas, prédios públicos e opções de lazer migraram no mesmo sentido.

O casario e o comércio entraram em rápido declínio e abandono. Espaços que antes eram usados como referência, para a mobilização político-social e cívica, foram abandonados. Como, por exemplo, a Praça Oito que foi palco das “Diretas Já” e concentrou as brincadeiras do carnaval, transferidos posteriormente para a Praça do Papa e Sambão do Povo respectivamente.

Os empreendimentos lentamente decaíram, abrindo espaço para a prostituição e venda de drogas ilícitas. Os moradores que restaram passaram a gradear suas casas e deixaram de frequentar as ruas com medo da insegurança instalada.

Nesses últimos anos, entretanto, o movimento de ocupação do Centro Histórico tomou o sentido contrário ao que vinha ocorrendo e surgiram iniciativas de ocupação dos espaços públicos e privados que paulatinamente conquistaram novos moradores (com características mais jovens e dinâmicas) e empreendimentos culturais voltados para a revitalização da vida artística, gastronômica, musical e de lazer.

A partir de então coisas do cotidiano, como bancas de fruta nas calçadas e as cocadas preparadas na hora voltaram a compor a paisagem e movimentar o Centro da capital. A feira livre de sábado voltou e trouxe animação com pandeiro, cavaquinho, surdo e demais instrumentos com nome de “Samba da Xepa”, que nada mais é do que os músicos moradores do local aproveitando um lugarzinho (ali ao lado do caldo de cana) para confraternizar comendo feijoada ou mocotó, enquanto ‘as patroas’ compram as verduras da semana.

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Aliás, a música desceu os morros da Fonte Grande e Piedade e se instalou nos barzinhos da região e, durante o carnaval, acontece o desfile do bloco “Regional da Nair”, que revive os clássicos do samba e atrai centenas de pessoas para o carnaval de rua.

Outra iniciativa que vem animando as noites do Centro é na rua Gama Rosa. A união de empresários donos de bares permitiu que os consumidores frequentem diferentes ambientes pagando apenas um couvert artístico e isso já apresenta resultados atraindo novo público e levando agitação às ruas que ficavam desertas com o cair da noite e o fechamento do comércio.

O Ateliê “Casa Aberta”, da artista Stael Magesck, apresenta durante o ano vários eventos com shows variados, performances artísticas e exposições que têm feito jovens de outros bairros de Vitória e de outras cidades descobrirem o Centro como opção cultural e de lazer; o “Lendo na Calçada” promove a literatura; e o “Cozinha Amiga e Almoço Musical” convidam artistas locais a prepararem pratos e mostrarem seus trabalhos.

Os shows musicais, a presença de moradias espaçosas e com preços de compra mais acessíveis, a transformação de antigos hotéis em unidades habitacionais, trazendo novos moradores para a região, as intervenções na área da limpeza pública e o reforço na segurança, mostram um esforço conjunto que tem dado novo impulso ao Centro.

A requalificação de prédios públicos como o Palácio Anchieta, sede do governo estadual, em espaço de mostras, palestras e exibições, com uma série de exposições artísticas, além de levar o público para a região em busca de lazer, também abre uma janela para que o capixaba possa apreciar a cultura erudita, tanto internacional quanto local.

Outro passo importante nesse processo foi a aquisição do prédio do antigo Cinema Glória pelo Serviço de Comércio – Sesc. O agora rebatizado Sesc-Glória possui salas para apresentações teatrais, palestras, ensaio de grupos de dança, biblioteca, laboratório multimídia e duas salas de cinema, inauguradas recentemente. A estrutura, além de receber artistas locais, promove projetos que atraem exposições e artistas de renome nacional e internacional, reafirmando o Centro como opção cultural de qualidade.

As apresentações teatrais constantes nos teatros Carlos Gomes e Sesc-Glória unem-se às festas de ruas que ocorrem durante o carnaval. Aliás, nesse mês de setembro ocorre a Virada Cultural, para comemorar o aniversário da Cidade com apresentações musicais, cinema, teatro e manifestações artísticas ao longo de toda a Avenida Jerônimo Monteiro, Praça Costa Pereira e Praça Oito.

Entretanto, alguns sinais de abandono ainda deixam claro que há muito para ser feito

O retorno da vida social ao Centro de Vitória passa por uma série de ações. Não basta somente reformar prédios e criar espaços, faz-se necessário também pensar em aumentar os projetos de ocupação social e cultural, tanto pela iniciativa privada quanto pelo poder público. Só assim o Centro terá todo seu potencial histórico, cultural e artístico explorado, deixando de ser ponto de passagem para se tornar ponto de encontro.

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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