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Maio, mês de Maria

Na Carta Encíclica Mense Maio, o Papa Paulo VI expressa a alegria da Igreja ao pensar nas grandiosas manifestações de fé e de amor oferecidas à Nossa Senhora no mês de maio; pois Ela é sempre caminho que leva a Cristo e todo encontro com Ela é encontro com o Nosso Salvador.

Trazendo as palavras do Papa Paulo VI à nossa realidade, observamos que a piedade popular traduz as verdades da fé nos singelos momentos de oração, como por exemplo, a Coroação de Nossa Senhora, uma prática devocional cheia de conteúdo bíblico.

Como bem acentua o Papa Paulo VI – Exortação Apostólica Marialis Cultus (nº 30) – a Sagrada Escritura faz referências do Gênesis ao Apocalipse à Mãe e Cooperadora do Salvador.

Já no Gênesis (3,15) – o protoevangelho – Deus promete a vitória da descendência da Mulher sobre a serpente, que a Igreja interpreta como referência à Maria e a Cristo.

À luz dessa prefiguração, fica evidente porque Jesus se refere à Mãe como “Mulher”, tanto nas bodas de Caná – “Mulher, não é chegada a minha hora” – quanto no momento de sua Paixão na Cruz – “Mulher, eis aí o teu filho”.

Os Santos Padres ou Pais da Igreja – primeiros escritores cristãos que durante os primeiros sete séculos foram elaborando a doutrina cristã e defendendo a fé, a liturgia e os dogmas cristãos – qualificam Maria como a Nova Eva, título adotado oficialmente pela Igreja.

São Justino de Roma (viveu entre os anos 100 e 165), considerado um dos Pais da Igreja – em sua obra Diálogo com Trifão, 100 – apresenta um brilhante paralelo: Eva concebeu a palavra dita pela serpente e deu à luz a desobediência e a morte; Maria concebeu fé e alegria, quando o Anjo Gabriel lhe anunciou a boa notícia de que o Espírito Santo viria sobre ela e a força do Altíssimo a cobriria com sua sombra, por meio do que o Santo dela nascido seria o Filho de Deus. Ao anúncio do Anjo, Maria respondeu: “Eis a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a Palavra!”. Da Virgem Maria nasceu Jesus pelo qual Deus destrói a serpente, os anjos e os homens que à serpente se assemelham; e livra da morte aqueles que se arrependem e nele creem.

Outro Pai da Igreja, Santo Irineu de Lião (viveu aproximadamente entre 140 e 200) – Contra as Heresias, Livro V, 19,1 – continua o paralelo entre Eva e Maria, ressaltando a entrega total de Nossa Senhora ao projeto de Deus: Eva foi seduzida pela fala de anjo e afastou-se de Deus, transgredindo a sua palavra; Maria recebeu a boa-nova pela boca de anjo e trouxe Deus em seu seio, obedecendo à sua palavra. O gênero humano que foi submetido à morte por uma virgem, foi libertado dela por uma virgem; o pecado do primeiro homem foi curado pela correção de conduta do Primogênito. A esperteza da serpente foi vencida pela simplicidade da pomba.

Vitor Nunes Rosa
Professor de Filosofia na Faesa 

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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