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Livros e um dedo de prosa

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Quando a Internet começou a dispor livros em formato eletrônico, houve quem vaticinasse – uma minoria – que os livros, em seu suporte tradicional, seriam suplantados pela novíssima forma tecnológica. Hoje muitos livros circulam pela rede para download pago ou gratuito. Tablets e e-readers já fazem parte dos bens contemporâneos. Mas o livro tradicional ainda existe aos milhões. Ouço muitos dizerem: “prefiro ler o livro no papel”, “adoro o cheiro de livro”, “ouvir o barulho das páginas ao correr dos dedos me dá prazer” ou “não gosto de ler no computador”. Há quem compre livros, há quem goste de livrarias.

Lembro-me que, nos idos dos anos 80, no Centro de Vitória, ao lado da Catedral, havia uma pequena livraria de nome Mandala. Ainda tenho livros com esse selo. Era uma mistura de livraria, sebo e biblioteca. Atraía leitores e escritores capixabas. Lembro-me de alguns eventos, como o lançamento do livro “Feliz ano velho”, de Marcelo Rubens Paiva – uma autobiografia importante em um momento pós-ditatorial. Do encontro de leitores nesse espaço, surgiu um grupo que se propôs a estudar, semanalmente, obras de dois pensadores importantes no século XX: “A interpretação dos sonhos”, de Sigmund Freud, e “Assim falava Zaratustra”, de Friedrich Nietzsche. Eram leituras fundamentais para alguns jovens frequentadores daquele lugar. No entanto, a livraria fechou as portas e um ciclo na vida intelectual da cidade. Na Praia do Canto, a livraria Dom Quixote também marcou época para os intelectuais capixabas. O livreiro interagia com os leitores de forma personalizada e também reunia amigos escritores para eventos importantes. A livraria Logos, em Bento Ferreira, além de lançamentos de livros, era “o” espaço de encontros culturais. A Dom Quixote deixou saudades e a Logos de Bento Ferreira deu lugar a um empreendimento imobiliário, embora continue com suas lojas em centros comerciais.

Em tempos de e-books, as livrarias físicas dividem as centenas ou os milhares de títulos com produtos de papelaria, material de informática, CDs e DVDs, algumas inclusive com cafeterias, onde os frequentadores fazem uma pausa saborosa.
O espaço para crianças, com mesas e cadeiras acessíveis aos pequenos, rodeado de prateleiras recheadas de cores, magia e conversas infantis, também sugere a ideia de convívio. Essa variedade atrai desde o público mais jovem até aquele leitor cuja inquietude não arrefeceu com o passar do tempo.

As livrarias continuam atraindo não só clientes, mas leitores que acreditam ser o livro um bem necessário e que ainda esperam um bom dedo de prosa. Não se renderam ao isolamento das redes sociais.

Virgínia Coeli Passos de Albuquerque
Mestre em Letras e professora aposentada /Ufes

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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