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LITURGIA PARA A VIDA DO MUNDO

A liturgia, em sua originalidade, como ressonância do Mistério Pascal de Cristo, conjuga e atesta a inseparável relação de fé e vida. A Páscoa nova é o perene memorial da vida plena e abundante para todos, na perspectiva do Reino de Deus, comunicado e consumado segundo o Evangelho.

A vivência litúrgica das comunidades cristãs direciona e legitima a missão cotidiana de transformar o mundo terreno e transitório em experiência antecipada da Jerusalém celeste, a cidade dos eleitos: “Eis a tenda de Deus com os homens. Ele habitará com eles; eles serão o seu povo, e ele, Deus-com-eles, será o seu Deus. Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos, pois nunca mais haverá morte, nem luto, nem clamor, e nem dor haverá mais. Sim! As coisas antigas se foram!” (Ap 21,3-4).

Celebrar a liturgia, a qual é centrada na Palavra de Deus, é integrar-se conscientemente na história da salvação e experimentar os efeitos da graça do Ressuscitado, com expansão através do exercício cotidiano de além-fronteiras, no sentido de ultrapassar as resistências e objeções das determinações humanas diante do plano salvífico.

Os conteúdos celebrativos, incorporados de forma memorial, interativa e progressiva, possibilitam a experiência consciente e frutuosa da plenificação pessoal e comunitária, no ensejo de dinamizá-la, em transposição, para os diversificados setores da vida, na perspectiva da comunhão cósmica.

Não se trata de os cristãos serem dominadores da existência e do plano temporal, mas de serem promotores da vida plena para todos, no exercício da liberdade e solidariedade fraternas. A vida cristã é o tom do desejo e da esperança de um mundo reconciliado: da criatura reconciliada com Deus, consigo mesma, com o semelhante e com toda a criação.
As circunstâncias e os contextos históricos formam o terreno propício e ávido para o desenvolvimento e expansão do Reino de Deus, o qual é comparado, pelo Evangelho, ao grão de mostarda e seus ciclos de desenvolvimento: “Embora seja a menor de todas as sementes, quando cresce é a maior das hortaliças e torna-se árvore, a tal ponto que as aves do céu se abrigam nos seus ramos” (Mt 13,32). Cada cristão, enquanto membro do corpo de Cristo e portador do mistério do Reino, torna-se o lugar da expansão, da acolhida, do aconchego e da comunhão.

A liturgia revela a continuidade da história da salvação enquanto ação de Deus desde a primeira criação até o tempo presente, mas proclama, pela ressurreição de Cristo, a ruptura com os projetos humanos que não correspondem à obra divina da caridade e da reconciliação, enquanto promoção da vida para todos.

A beleza do mistério celebrado terá mais e mais visibilidade, com o devido reconhecimento e adoração, à medida em que a transfiguração humana for valorizada e promovida a partir dos gestos generosos e solidários para com o semelhante, a começar dos empobrecidos e marginalizados.

Fr. José Moacyr Cadenassi
OFMCap

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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