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Liturgia e escatologia

Aescatologia – do grego éskata (coisas últimas) e logos (conhecimento) – refere-se às realidades últimas do ser, segundo a fé cristã, sob a luz da Páscoa de Cristo. Os últimos acenos do Ano Litúrgico, expressos na dinâmica do Tempo Comum, particularmente da 32ª à 34ª semanas, retomam os temas da escatologia. Através das nuances da liturgia da Palavra, conforme os lecionários dominical e semanal, evidencia-se tal temática. Destacam-se as leituras semicontínuas dos seguintes livros: Sabedoria, 1 e 2 Macabeus, Daniel, Apocalipse e o Evangelho de Lucas.

Os temas que perpassam a Palavra proclamada acentuam a oração (tema relevante no Evangelho de Lucas), a vigilância, a conversão, o cultivo e o direcionamento da vida, a exortação, a advertência, o julgamento, a justiça, o caminho, a misericórdia, a compaixão, a resistência, a fortaleza, o Reino, a presença do Filho do Homem e a completude do seu reinado.

Outras duas liturgias, próximas das últimas semanas, também evidenciam a temática da escatologia, estabelecendo consonância entre si, na sequência dos dias em que são celebradas: a solenidade de Todos os Santos em 01 de novembro (no Brasil, quando este dia não é domingo, celebra-se no domingo seguinte ao 1º de novembro) e a Comemoração de Todos os Fiéis Falecidos, em 02 de novembro (também celebra-se se o dia 02 for domingo).

O prefácio para Todos os Santos elucida a Jerusalém celeste, a cidade do céu, onde os santos vivem em plenitude, ao redor do Pai e cantando eternamente os seus louvores. A oração depois da comunhão confirma a adoração e a admiração a Deus por todos os que participam da mesa de peregrinos, até que se chegue ao banquete do reino.

O Missal apresenta três formulários de missas para a Comemoração de Todos os Fiéis Falecidos, com textos que têm o Mistério Pascal como centro e finalidade da vida cristã. Conserva-se o tom de sufrágio neste dia, ou seja, a liturgia é aplicada como auxílio espiritual aos falecidos, segundo a tradição da Igreja.

Para o último domingo do Tempo Comum (34º), foi fixada a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Para ele convergem o destino da obra criada e a consumação da vida humana, mediante o seu triunfo pascal. Ele, o primogênito de toda a criação (cf. Col 1,15) e a cabeça da Igreja, é reconhecido e proclamado o “alfa e o ômega, o primeiro e o derradeiro, o princípio e o fim” (cf. Ap 22,12-13).

Os elementos contidos na liturgia desse domingo reforçam o aspecto da parusia. As leituras bíblicas estão dispostas segundo os ciclos A, B e C da liturgia dominical, evidenciando para o Ano A o tema de Cristo como Senhor da humanidade e dos tempos; para o Ano B, Cristo como libertador de todo o gênero humano; para o Ano C, Cristo como servo e reconciliador da humanidade.

Os textos eucológicos são formulários fixos para os três ciclos acima mencionados. A antífona da entrada, segundo o Missal Romano, é o canto de reconhecimento da Igreja celebrante, recordando sua vocação e fim: “O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A Ele glória e poder através dos séculos.” (cf. Ap 5,12;1,6)

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Fr. José Moacyr Cadenassi
OFMCap

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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