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Liturgia e aprofundamento

O aprofundamento pessoal e comunitário sobre o Ano Litúrgico e os Tempos que o compõem, assim como o conhecimento das dimensões da liturgia, mais as formas de celebração, são de suma importância para o desenvolvimento e maturação da vida eclesial. A liturgia, expressão por excelência do mistério, é a referência primeira para a evangelização, assim como para a organização da vida pastoral das comunidades e igrejas particulares.

Através do conhecimento, como contínuo e progressivo aprofundamento, abre-se a possibilidade de uma maior e eficaz participação de todos, a qual não deve ser reduzida a um mero ato de piedade ou a um preceito a ser cumprido. A liturgia é a fonte da vida mística e profética de cada batizado, na sempre atual parceria da Aliança com Deus, segundo o Mistério Pascal de Cristo.

Hoje, muitas práticas estão equivocadas sobre o real sentido do mistério celebrado, e sem noção e propriedade quanto à dimensão ritual oficial da Igreja. Faltam conhecimentos, do básico ao profundo, sobre o sentido da liturgia. Isso é notável através dos inúmeros registros e compartilhamentos nas redes sociais e transmissões em televisão, como também através de uma análise que se pode fazer a partir da vivência pessoal numa assembleia.

O culto, para muita gente, de ministros ordenados a leigos, tornou-se um lugar de apresentação e entretenimento, de espetáculos e homenagens, de performances surpreendentes, transformando o espaço celebrativo em um palco e a assembleia em um público que se arrepia e rodopia diante de precários efeitos visuais e sonoros. E os efeitos tornam-se contrários àquilo que a liturgia tem na sua originalidade: concentração, oração, contemplação e comunhão.

As assembleias litúrgicas sofrem mais e mais com as tendências que não passam de condicionamentos, ideologias e até interesses de muitos que não compreenderam e até não querem compreender o sentido autêntico da fé e da tradição da própria Igreja. O assunto é delicado, sensível e requer muitas outras dimensões de análise histórica e teológica.

Redescobrir a liturgia, conhecer os vários ritos, propiciar uma devida preparação de cada celebração pelas equipes junto aos ministros ordenados, incluindo possíveis vivências para aprofundar o sentido dos ritos, são meios para um trabalho pastoral progressivo e eficaz, no objetivo de promover com qualidade a participação de todos. O caminho é promissor, mas exige abertura, foco, renovação da fé, trabalho pessoal e comunitário no campo afetivo e emocional, responsabilidade, parceria e, essencialmente, diálogo com maturidade.

É necessário que a pastoral litúrgica (será que todas as comunidades, paróquias e dioceses têm esse serviço?) seja o contínuo e incansável instrumento de formação, diálogo e aprofundamento para o bem celebrar, com direcionamento para atitudes concretas em prol da qualidade das celebrações.

Caro(a) leitor(a), que tal, ainda neste princípio de ano, você inteirar-se para participar das formações litúrgicas de sua comunidade, paróquia ou diocese? E também divulgar tais eventos, motivando outros a participarem? Eis o primeiro e decisivo passo de transformação, diante dos presentes desafios da vida litúrgica!

Fr. José Moacyr Cadenassi
OFMCap

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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