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Liturgia: consciência e ministérios

Em muitas equipes de liturgia surgem questões do tipo: “Tal pessoa virá à celebração devido a uma circunstância: vamos valorizá-la e destacá-la, convidando-a para fazer uma leitura?”; “Vamos agradar e promover as crianças, dando a elas algumas funções: a proclamação da Palavra ou, ainda, pedir que elas encenem o Evangelho em vez de o mesmo ser proclamado?”; “Que tal revezarmos com as pastorais e os movimentos o serviço da liturgia durante as grandes festas?”.

A legitimidade e vivência dos ministérios litúrgicos são para os batizados (fundamentação teológica), mas requer, inclusive, outras etapas, desde a participação efetiva numa comunidade, a escolha, o chamado, como também um contínuo caminho formativo. Os ministérios não figuram como promoção ou cargo, mas como canais abertos no serviço do culto e da evangelização. Confiados pela comunidade de fé, necessitam da inteireza do ser por parte dos ministros, edificados pelo dom da caridade e do serviço fraterno. Os ministros são parte integrante da assembleia, e não separados.

Possivelmente, em muitas comunidades existem desafios de conceber e praticar o serviço litúrgico de forma centrada e organizada, com mais propriedade e consciência ritual, conforme as orientações e disposições da Igreja, na ampla consciência de que a vivência litúrgica é a espiritualidade por excelência do cristão. Constata-se que, apesar dos anos de prática, ainda depara-se com a falta de um maior e até profundo conhecimento dos ritos e dos livros litúrgicos, como também limites na arte da comunicação e expressão. Também é importante recordar, no atual contexto, os acréscimos de elementos não litúrgicos no âmbito da liturgia, inseridos de forma livre e sem o mínimo de critérios e concordância.

A preparação de uma liturgia não é feita com o objetivo de que outros venham assistir e sejam surpreendidos com o que foi preparado, encantando-se através de uma onda de emoção, a qual foi propiciada por um certo clima de suspense, indução e até condicionamento. A missão dos agentes da pastoral litúrgica, junto com os presbíteros e diáconos, é justamente aprofundar, em primeiro lugar como equipe, o sentido das celebrações, e promover a introdução da assembleia reunida no mistério celebrado, ou seja, a vivência mistagógica. O Espírito é que potencializa todas as ações da assembleia celebrante, nela concretizando a dimensão da unidade e comunhão com o Pai, por intermédio do Cristo Ressuscitado. Ao participar da ação ritual participa-se do mistério!

Fr. José Moacyr Cadenassi, OFMCap 

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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