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Lições de Francisco Inspirações para a Igreja

Iniciamos neste número da revista, nova editoria que procura tomar mensalmente algum fato, fala ou ação do Papa Francisco e repercutir em nosso meio. Já são cinco anos de seu pontificado e a cada dia que se passa o seu pastoreio penetra ainda mais nos diversos meios, especialmente na vida cristã católica. Sua liderança e profetismo ultrapassam as paredes do Vaticano. Em diversos números da Revista Vitória publicamos artigos sobre temas pinçados de suas falas e viagens. E agora queremos continuar seus passos em cada número.

A primeira motivação nasce bem antes de sua eleição como Papa e situa-se na realização da V Conferência de Aparecida. Ali ficou claro, como ainda hoje, que o Concílio Vaticano II é o grande desafio para ser posto em prática. É triste vermos padres e seminaristas nos dias atuais afirmando que este Concílio está superado! Como? Nem se concluiu sua implementação pastoral. Talvez o desafio de tornar o Povo de Deus em “discípulo missionário” esteja sendo suplantado pelas palavras fáceis e pelas imagens sedutoras que enchem as Igrejas e dão a impressão de caminho pastoral evangélico. Jesus não era de palavras fáceis ou de imagem sedutora. Era duro com hipócritas e fariseus. O Papa Francisco situa o caminho evangélico de ensinar a ver Cristo nos pobres e excluídos, nas periferias existenciais.

Naquela Conferência já se vislumbrava, sem ser consciente, o que haveria de acontecer à Igreja. Numa homilia proferida no dia 16 de maio, ao terminar, foi aplaudido por toda a assembleia. Não era discurso de candidato a nada. Não era discurso sedutor de palavras fáceis. Era como se todos reconhecessem em suas palavras a sua experiência pastoral em Buenos Aires e era o que cada um gostaria de dizer. Elas tocaram o coração de cada um. Dizia o cardeal Bergólio que não se deve querer ser uma Igreja autorreferencial, mas missionária, adoradora e orante, em que cada um, junto com o Papa e os Pastores desta mesma Igreja, possa dialogar segundo o Espírito; na medida em que cada fiel se coloca como instrumento do Espírito é que se pode construir a Igreja.

“Caminhar e edificar” é o lema que leva o Papa a propor e se propor como exemplo construindo a Igreja, saindo para as periferias e dialogando com todos. Sim, com todos. Sem pré-julgamentos. Sem sede de aplicação das leis. Muitos acham que fazer pastoral é aplicar a legislação canônica e seguir o rito. Daí nascem os julgamentos e as excomunhões de todo tipo.

Esta editoria quer ser na Revista Vitória um espaço deste caminhar e edificar, destacando as estradas percorridas, os becos, as pontes, as pinguelas, os viadutos, que a figura do sucessor de Pedro mostra para toda a Igreja e para o mundo.

Edebrande Cavalieri
Doutor em Ciências da Religião e professor universitário na Ufes

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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