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Juventude e o “Z” da questão

Acordar e dormir com um celular na mão pode parecer atitude condenável para uma grande maioria da população, mas engana-se quem pensa que este comportamento interfira na vida dos jovens. Ao contrário, para os nascidos depois de 1995, chamados sociologicamente de jovens da geração “Z”, este comportamento não só é aceitável como é natural e producente. Nativos de um tempo em que os termos “online” e “off-line” se intercruzam, os jovens da geração “Z” têm comportamentos e pontos de vistas que os distinguem das gerações anteriores, com as vantagens e limites integrados a este novo modo de interagir com a vida.

O termo geração “Z” vem na sequência de um corte sociológico que classifica as gerações nas últimas décadas, especialmente no pós Segunda Grande Guerra (1945). Temos a geração Baby Boom (1945 até 1960); geração X (1960-1975); geração Y (1975-1990) e a atual geração Z, nascida após 1990. Obviamente essa classificação não é absoluta, mas facilita alguma reflexão: a grande mudança da geração “Z” é justamente o modo como ela se relaciona com o mundo, as instituições (família, igrejas, empresas), ressignificando valores e comportamentos, que antes eram considerados imutáveis e hoje são postos em cheque a todo momento.

O termo “Z” vem do verbo “zapear”, uma assimilação do inglês “zapping” que significa trocar de interesse a todo momento. O jovem atual tem imensa dificuldade de concentração em apenas uma coisa. Ele consegue conjugar uma série de comportamentos: vê televisão, ouve música, acessa internet, fala no “whatsapp”, se alimenta e até estuda, tudo ao mesmo tempo, sem que isso seja um problema. Recebe uma enxurrada de informações, mas tem muita dificuldade de retê-las e refletir sobre elas. A palavra “descartável” passa dos copinhos de plástico para as tecnologias, e pior, envolve as pessoas e relacionamentos. Tudo é efêmero, e o negócio é ser feliz… agora!

Mas a geração “Z” mostra capacidade criativa imensa, é empreendedora, quer gerir seus próprios negócios, foge de responsabilidades muito férreas, não gosta de horários estabelecidos e prefere fazer do trabalho um lugar de lazer. A preocupação financeira não pesa tanto quanto a possibilidade de ter tempo livre para aproveitar a vida. Mudar de emprego ou trocar de cursos nas universidades não é um drama sem solução. O que importa é estar bem consigo, estabelecer momentos de prazer e deixar fluir a capacidade de gerenciar a própria vida, entrando em embate com autoridades e hierarquias.

Como se vê, a juventude “Z” tem suas capacidades, mas como sempre, resta a ela necessidade de estabelecer limites e desenvolver a maturidade nas decisões. Sobretudo no que se refere a comunicação, num mundo de tantas informações, separar “o joio do trigo” se torna o grande desafio de uma geração que tanto tem para oferecer, mas que ainda não sabe direito onde firmar os pés.

Padre Evaldo César de Souza
Diretor da TV Aparecida 

 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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