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JUBILEU: revolução na cultura da misericórdia

Neste número especial da Revista Vitória em que se celebra o Jubileu de 60 anos de sua criação, caberia perguntar sobre que mensagem jubilar Francisco nos presentearia neste momento festivo. Percorremos primeiro a Sagrada Escritura para relembrar a origem deste evento onde encontramos a ideia central do que constitui a celebração do Jubileu. Trata-se de um tempo para descanso da terra por um ano para que ela possa renovar-se em suas forças e produza ainda mais frutos nos próximos anos. Descanso também dos trabalhadores e liberdade para os que foram escravizados.

O Papa Francisco já instituiu alguns eventos jubilares e participou de vários outros. O que nos chama mais para a vivência de um ano de júbilo é sem sombra de dúvida o “Jubileu da Misericórdia”, que aconteceu entre o mês de dezembro de 2015 a novembro de 2016. Em seu anúncio, ele assim nos convoca: “Em meio à violência, é preciso ter misericórdia. No mundo violento de hoje, os cristãos são chamados a esta experiência com Deus, que desce até nossa miséria”.

Ao instituir este jubileu ele nos convida para uma revolução cultural que exige uma cultura da misericórdia. Diz-nos que “as obras de misericórdia tocam toda a vida de uma pessoa” e assim será possível uma verdadeira revolução. Na simplicidade de cada gesto torna-se possível alcançar o corpo e o espírito. A terra sobre a qual pisamos necessita deste tempo de jubileu para que se renove e nela possam crescer as árvores da bondade e da ternura para alimentar principalmente os mais humildes e indefesos, os que vivem sozinhos e abandonados.

Sessenta anos de caminhada do povo de Deus da Arquidiocese de Vitória. Muitos sinais concretos de misericórdia são visíveis e testemunhados pelas pessoas. Nesta terra temos muitas delas que deram a própria vida para que crescessem as árvores com os frutos da misericórdia. Muitos eventos eclesiais foram celebrados ao longo destes anos. O caminho foi longo, contudo o povo de Deus desta terra soube caminhar junto na fé e na esperança.
O jubileu descrito nas Sagradas Escrituras nos indica um tempo para descanso, tanto da terra para que ela possa se recuperar em sua potencialidade produtiva como para as pessoas que trabalham esta mesma terra.

Contudo, o Papa nos convoca para olharmos para o chão e reparar como ainda sofrem os desempregados, os sem-abrigo, as crianças exploradas, as novas formas de pobreza espiritual e material. Não temos condições para descansar enquanto esta realidade estiver presente em nosso meio.

Então, é preciso cultivar a misericórdia para que a terra seja revigorada com novas plantas, novas testemunhas, novos profetas, mais cristãos.

Assim, o jubileu, conforme nos ensina Francisco, será um tempo propício para a prática mais elevada da vida cristã: a misericórdia.

Edebrande Calalieri
Doutor em Ciência da Religião

 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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