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JUBILEU É UM MOMENTO SUBLIME DE COMUNICAÇÃO

Como todo evento comemorativo, o Jubileu de 60 anos da Arquidiocese de Vitória, celebrado em 2018, se reveste de um momento fundamental da comunicação na Igreja, tanto com os fiéis, que chamamos de público interno, quanto com a sociedade em geral, isto é, nosso público externo. Esse momento ímpar aponta dois caminhos da comunicação que precisamos seguir: como envolver os católicos nesse processo comunicativo; como tocar o coração dos não católicos com a mensagem cristã.

O enorme leque de comemorações, que envolvem momentos de oração, celebração, formação e festividade, é fundamental e precisa ser muito bem difundido. Mas gostaria mesmo de chamar a atenção para uma outra dimensão do Jubileu, que nem sempre temos presente: a difusão dos nossos feitos. Ou melhor, a difusão dos resultados da nossa fé. Afinal, o apóstolo Tiago (2-26) foi enfático: “a fé sem obras é morta”.

A Igreja Católica gera centenas de milhares de obras Brasil afora há séculos. Ouso dizer que gera milhares de obras apenas na Arquidiocese de Vitória. Mas nós somos tomados, equivocadamente, pela advertência do apóstolo Mateus (6:3): “que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita”. Aí passamos a achar que não devemos divulgar nossas obras.

Essa orientação trata da nossa necessária humildade e não da comunicação, que está também em Mateus (5:15-16): “nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa. Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus”.

Este é nosso problema: deixamos escondidas nossas obras. Divulgá-las, além de ser uma obrigação cristã, é condição de existir na sociedade atual. Fazer algo e não divulgar é como se isso não existisse. Vivemos em uma sociedade midiatizada, isto é, uma sociedade que se pauta, se comporta, age a partir do que vê, ouve, lê. Ou seja, a partir do que está na mídia. De forma que aquilo que a mídia não deu é como se não tivesse acontecido.

Portanto, nosso desafio é reeducar nosso olhar, para ver as grandes maravilhas que acontecem em nossas comunidades, quase sempre de forma simples, em pequenos gestos de compromisso com o outro. É aquela senhora ou senhor, jovem ou mesmo criança, que movidos pela fé fazem o bem a outras pessoas: “Sempre que fizestes a um destes meus irmãos… a mim o fizestes” (Mt 25:35).

Nossas pastorais, movimentos, serviços de Igreja estão repletos dessas obras. Quantos resultados concretos temos como fruto da ação das pastorais da Saúde, da Criança, da Terra, da Sobriedade – só para ficar em algumas. São tantas chagas sociais aliviadas por obra da fé que pedem para ser divulgadas, mas nós não achamos isso importante. Reduzimos nossa comunicação a divulgar festa, noite de louvor, horários de missa… Claro que tudo isso é importante. Mas pouco adiantará se não mostrarmos os resultados de nossas ações. Essa é a nossa comunicação mais importante, porque ao mostrar uma fé comprometida com a criação divina geramos empatia e compromisso, difundimos solidariedade e cidadania. Esta é a única comunicação que alcançará toda a sociedade, além dos já católicos.

Que este momento do jubileu nos sirva para lançarmos um novo olhar sobre nossa Igreja, mas um olhar sobre os fiéis e suas ações, suas atividades enquanto agentes sociais movidos pela fé. E ao encontrarmos tantas lindas histórias, nos empenharmos em contá-las aos outros, a toda a sociedade.

Se não as encontrarmos em nossas comunidades, das duas uma: ou não estamos conseguindo ver, porque nosso olhar está mais na instituição do que na verdadeira Igreja; ou nossa fé está morta, por incapacidade de gerar frutos. Aliás, poderíamos aproveitar o jubileu para fazer uma boa avaliação de nossa fé, a partir das obras que geramos e divulgamos.

Revista Setembro - VII.cdr

Elson Faxina
Jornalista e professor da UFPR

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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