buscar
por

Insígnias, sinais do Ministério Episcopal

“Onde comparecer o Bispo, aí se deve juntar a multidão, tal como, onde estiver Jesus Cristo, aí está a Igreja católica”, sentença ensinada por Santo Inácio de Antioquia ainda no primeiro século da era cristã.

O Bispo é o pastor da Igreja Particular, sua presença e ministério dá legitimidade e eclesialidade necessária a qualquer reunião ou ação que se queira chamar “católica”. Ele está “investido da plenitude do sacramento da Ordem, rege a Igreja particular, como vigário e legado do Cristo em comunhão e sob a autoridade do Romano Pontífice” (Lumen Gentium, n.23).

De onde vem a grandiosidade e importância do ministério episcopal? Do próprio Cristo Sumo Pontífice da humanidade junto a Deus Pai e Sumo Sacerdote da Nova e Eterna Aliança: “Os Bispos constituídos pelo Espírito Santo são os sucessores dos apóstolos como pastores de almas (…), Cristo na verdade, deu aos apóstolos e aos seus sucessores o mandato e o poder de ensinar todas as gentes, de santificar os homens na verdade e de os apascentar (…), são verdadeiros e autênticos mestre da fé, pontífices e pastores” (Christus Dominus, n. 13).

Santo Agostinho escreveu também que para o seu povo ele era bispo e com o povo ele era um cristão. De fato, o Bispo é um discípulo de Jesus Cristo, humano, semelhante a todos os fiéis, mas o ministério episcopal faz dele sinal sacramental. O que ele significa para nós, por designo divino, vai além da frágil figura humana. Ele é o elo da Igreja com Cristo, pois através da sucessão dos apóstolos transmitida aos bispos somos guiados pelos mesmos pastores escolhidos pelo Senhor. O bispo é o sinal visível de comunhão da Igreja Particular em si e dela com a Igreja universal. Toda essa realidade verdadeiramente espiritual ganha visibilidade pelas suas vestes, paramentos e insígnias com que foram honrados ao longo da história e até hoje.

A vestimenta do bispo, como clérigo, é o habito talar, isto é, a batina preta com detalhes vermelhos e sua cruz peitoral pendente numa corrente. Em ocasiões especiais ele pode usar a veste coral completa, ou seja, a batina toda violácea, com o roquete (tipo uma sobrepeliz branca de renda), acompanhado de solidéu e barrete sempre violáceos que é a cor da dignidade episcopal, nesse caso, usa a cruz peitoral pendente no cordão verde com linhas douradas.

Nas celebrações litúrgicas a Igreja ganha a melhor visibilidade simbólico-sacramental e o bispo por sua vez realiza as funções de Sumo Sacerdote, santificador e pastor da sua Igreja, bem como de doutor da Palavra de Deus. Cada atributo da natureza do ministério episcopal se revela pelo sinal das vestes: a alva que endossa sobre suas vestes é, antes de ser um paramento litúrgico usado por ministros de qualquer grau, lembrança do Batismo, quando fomos lavados e alvejados pelo Sangue do Cordeiro (cf. Ap 7,14). Sempre sob ela se usa o amito (retângulo de tecido com tiras de amarrar) para esconder as vestes (seja civil ou religiosa). Os paramentos litúrgicos é um revestir-se de Cristo para servir, não é um ato realizado em nome próprio, mas é para colocar em relevo o sinal de Cristo que age no seu ministro. O primeiro paramento do ministério sacerdotal é a estola (tira de tecido que envolve o pescoço e pende paralelamente sobre o peito) ajustada ao corpo com a alva pelo cíngolo (cordão de fios de tecido trançado). Por ter a plenitude do sacramento da Ordem, isto é, o Bispo é aquele que recebeu este sacramento em seus três graus, se tornando também o único ministro deste mesmo sacramento, ele pode endossar sobre a estola sacerdotal a dalmática, veste própria do diácono: será não só uma lembrança da plenitude do poder da Ordem, mas que o episcopado é um serviço. Sobre a dalmática vem a casula (e sob ela a cruz peitoral) veste sacerdotal própria para a celebração da Eucaristia.

Até aqui falamos das vestes e dos paramentos litúrgicos para a celebração mais solene da Eucaristia. No dia da Ordenação Episcopal, porém, o eleito recebe algumas insígnias que embora de uso consagradamente litúrgico, não se limitam às celebrações e revelam outros atributos do ministério do Bispo.
Depois de todos os paramentos acima, o Bispo ainda põe o solidéu (que significa “só para Deus”), pequena cobertura redonda usada sobre a cabeça de cor violácea e quando cardeal vermelha, e sobre o solidéu a mitra, tipo de chapéu pontiagudo com duas tiras (ínfolas) que pendem nas costas. Os grandes mestres usavam desde a antiguidade algum tipo de chapéu ornando a cabeça. Para o bispo, além de por em relevo a sabedoria recorda que ela não vem de si, mas de quem está acima dele, o próprio Deus que o assiste a todo tempo por meio do seu Espírito Santo. Somente na presença do Senhor no Santíssimo Sacramento o bispo se apresenta de cabeça descoberta. Como guardião da fé, a mitra é sinal do capacete espiritual do bispo para a defesa da verdade. Para tanto sua cabeça foi ungida com o óleo do crisma no dia da ordenação episcopal e recebeu o livro dos Evangelhos para seu ensino.

4070-Fucsia

37339

Até hoje se chama de cátedra o lugar fixo dos grandes mestres e doutores nas universidades. O bispo é o catedrático na ortodoxia da fé e da moral. Sua missão de ensinar e conduzir à verdade por meio da pregação da palavra de Deus é tão grandioso que sua cátedra merece uma igreja especial, a catedral, a igreja mãe da Diocese, a igreja do Bispo onde se reúne com seu presbitério e grande porção do povo para as ocasiões mais solenes.

No dedo anelar da mão direita, o bispo recebe também o anel, símbolo da fidelidade invencível de Cristo, esposa de Deus, a quem ao bispo é confiada a guarda e proteção. Com essa mesma mão ele passará abençoado seu povo e na mão esquerda, enquanto caminha, o bispo portará o báculo pastoral, talvez, de todas as insígnias, a mais significativa e que facilmente as pessoas identifiquem como o cajado do pastor. De fato, o bispo revelará em si as feições de Jesus, o Bom Pastor, que dá a vida por suas ovelhas (cf. Jo 10,11).

17559

35792

Os arcebispos metropolitanos, bispos de Igrejas mais antigas e de grande importância, são incumbidos de zelo, em situações muito especiais, pelas dioceses vizinhas que formam a Província Eclesiástica (as chamadas dioceses sufragâneas). Em função disso recebem uma distinção com o uso do pálio: uma tira de lã que envolve o pescoço e pende no peito e nas costas com cinco cruzes pretas. O pálio é confeccionado pelas monjas beneditinas do Mosteiro de Santa Cecília, em Roma. As ovelhas de onde se tosquia a lã para confecção dos mesmos são abençoadas pelo Papa no dia de Santa Inês, em 21 de janeiro.

palio

Depois são depositadas sobre o túmulo de São Pedro e entregues solenemente aos arcebispos no dia 29 de junho pelo Santo Padre. Mas seu significado não termina por aí. O pálio recorda o Bom Pastor que leva em seus ombros a ovelha tresmalhada. As 5 cruzes fazem referência às 5 chagas do Salvador, sendo que 3 delas, a da frente, do ombro esquerdo e das costas podem ser perpassadas por 3 cravos, lembrando aqueles que prenderam o Senhor ao madeiro. O Pastor Divino também se fez ovelha, o Cordeiro imolado, único capaz de salvar os homens de seus pecados (cf. Jo 1,29).

O ministério do bispo para longe de ser uma honra é na verdade uma verdadeira cruz onde homens chamados pelo Senhor para suceder seus apóstolos tomam com coragem em seus ombros as ovelhas feridas e sobre si a cruz e as marcas da paixão. Admirados por tanta entrega o povo de Deus cumula seu bispo de reverencia, devoção e obediência cujos significados se revelam mediante o uso das insígnias.

editor1

Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

Mais posts do autor

COMENTÁRIOS