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IMPORTANTE E FUNDAMENTAL

É por todos reconhecida a importância da política econômica em buscar o controle da inflação, das contas públicas e a liberação da taxa de câmbio. Enquanto regra geral, o chamado tripé macroeconômico faz todo o sentido em tempos de economia estável. Como essa estabilidade, tão preconizada pelos que endeusavam as virtudes da livre movimentação de bens e serviços em escala mundial, tornou-se uma permanente volatilidade desde a crise financeira de 2007/08, que essa regra geral precisa ser relativizada.

Ela precisa ser contextualizada para que outras dimensões da crise sejam contempladas. Em momentos de baixo dinamismo da demanda em escala mundial e de recessão interna como a vivida no Brasil, é preciso que a política econômica seja anticíclica e priorize medidas capazes de diminuir os impactos da crise sobre o emprego e a renda.

Deixar o emprego ao sabor das forças de mercado em momentos de crise pode trazer resultados econômicos nefastos. Buscar equilibrar as contas públicas através de cortes em despesas sociais, compromete a recuperação. Isso porque, a crise de demanda só se aguça com essas medidas. Desemprego e cortes em despesas sociais acabam aprofundando a crise e penalizando mais aqueles que menos têm.

Um bom exemplo disso é o que vem acontecendo na maioria dos países da União Europeia. Os ajustes à lá FMI e Banco Mundial que no passado foram testados em seus impactos econômicos e sociais negativos e em sua baixa efetividade na América Latina, lá repetem resultados igualmente negativos e sem efetividade. Mesmo diante dessas evidências, os condutores da política econômica no Brasil fazem vistas grossas para elas.

O Nobel em Economia Paul Krugman tem sido uma voz – longe de ser a única – que busca alertar para o quão fundamental são políticas anticíclicas que privilegiem o emprego e a demanda. Essa pode ser estimulada tanto no campo do consumo quanto no do investimento. Entre ampliar o consumo e o investimento é sempre mais efetivo a médio prazo, priorizar investimentos. Melhor que eles sejam voltados para atividades que gerem empregos já que esses acabam por aumentar a renda. Aumento de renda leva a incrementos da demanda que resulta em novos investimentos, instalando-se assim o chamado ciclo virtuoso do crescimento.

A simplicidade dessa virtuosidade esbarra na economia política, já que alguns agentes econômicos têm muito mais voz e poder de pressão do que os demais. No mundo inteiro – e no Brasil de maneira afrontosa – sabe-se que esse é o caso do mercado financeiro. Por isso, quando ele está satisfeito, é porque existem riscos de perdas para o setor produtivo e para a maioria da população. Eis a sutil diferença entre importante e fundamental.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia arlindo@villaschi.pro.br

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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