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Formas e reformas

Formação socioeconômica rica, diversa e que ainda convive com distorções construídas ao longo de sua história, o Brasil precisa de reformas. Reformas que busquem uma previdência social contemporânea de suas mudanças demográficas recentes e esperadas para o futuro breve. Previdência social onde os privilégios de alguns poucos deixem de ser financiados por atendimentos injustos para com a maioria.

Reformas que atualizem a legislação pertinente às relações trabalhistas de maneira a evitar a continuada precarização do mundo do trabalho. Mundo do trabalho em transformação acelerada pelas tecnologias da informação e das comunicações que devem ser utilizadas, sim, para a competitividade empresarial, sem relegar a segundo plano o bem-estar da população.
Reformas que construam um sistema tributário que financie atividades essenciais – como saúde, educação, cultura, segurança, transporte, dentre outras – e que devem estar à disposição de todas as pessoas, independentemente de sua renda. Sistema tributário que seja progressivo e que deixe de penalizar rendas do trabalho e atividades produtivas, em benefício do rentismo financeiro e de outros processos especulativos.

Reformas que retomem no cotidiano da política a prioridade de atendimento do bem comum. Bem comum que leve em consideração a diversidade regional, cultural, social e econômica do Brasil. Diversidade que precisa de instituições efetivamente democráticas e que abram espaço também para a participação direta da população na formulação e na implementação de políticas públicas. Participação direta crescentemente facilitada por redes sociais que precisam ser postas a serviço da convivência respeitosa entre diferentes de gênero, religião, ideologia política, opção sexual, dentre outros.

Reformas que necessitam de legitimidade de que carece significativa parte dos atuais ocupantes do executivo e do legislativo. Legitimidade que precisa ser construída através de um amplo debate nacional sobre que Brasil queremos. Projeto de País que resulte de embates intensos e abertos entre posições antagônicas e que reconheçam a necessidade de se conciliarem.

Conciliação que necessita de uma outra forma e um outro conteúdo de atuação dos meios de comunicação de massa. O sensacionalismo que impera em boa parte do que é veiculado como informação e que provoca distopia na população tem que abrir espaço para outras pautas de notícias. Pautas que valorizem ideias e a busca de caminhos alternativos para a construção de um Brasil melhor para sua gente e que valorize suas riquezas naturais.

Valorização de ideias e de caminhos alternativos que já foi experimentada em momentos singulares da vida nacional, como o da constituinte de 1987-88. Com tudo de diferente que existe entre aquele momento e os dias de hoje, há que se manter o compromisso com o fazer um outro Brasil possível.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia e Coordenador do Grupo de Pesquisa em Inovação e Desenvolvimento Capixaba da UFES

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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