buscar
por

Formação para a abordagem étnico-racial na universidade

Determinado a colocar em prática a legislação que prevê o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena (Leis 10.639/2003 e 11.645/2010), o Coletivo Negrada, grupo formado por estudantes de diferentes cursos da Ufes, buscou apoio para a implementação de um projeto de extensão na Universidade para ampliar as discussões sobre a temática. Dessa maneira, foi criado o Cine Negrada, iniciativa que teve a sua primeira ação executada em 29 de setembro deste ano.

O projeto propõe a realização de sessões de exibição e discussão de filmes com temática étnico-racial, que serão realizadas na Ufes ou nas escolas públicas, proporcionando aos alunos, professores e universitários a formação para a abordagem do discurso antirracista e das questões étnico-raciais, do audiovisual e das diversas realidades culturais existentes em sala de aula. “A gente percebe as dificuldades da implementação das leis e este é um assunto que merece a nossa atenção, por isso propomos esse trabalho, inicialmente com os alunos da escola pública, uma vez a cada mês”, afirmou a professora que coordena o trabalho, Júlia Almeida.

Além do cumprimento à lei citada, o projeto também visa abraçar outra legislação, que passa a exigir que sejam dedicadas pelo menos duas horas mensais à exibição de filmes nacionais nas escolas (Lei 13.006/2014). “Com um projeto estamos colocando em prática as nossas leis e levando mais informação e conteúdo a esses estudantes, que muitas vezes nunca ouviram falar da Universidade Federal do Espírito Santo”, comentou Júlia.

Depois da sessão de filmes, os alunos fizeram uma visita à Universidade, proporcionando o conhecimento e esclarecimento dos estudantes acerca das suas expectativas de acesso. “A primeira experiência foi bem bacana, pois mostramos para eles que é possível ingressar na Universidade e que é direito ter acesso ao ensino superior, buscando uma perspectiva para seus futuros. Mostramos várias coisas e almoçamos no Restaurante Universitário, então foi um dia muito legal e agradável”.

Pratica do Saber 3 (1)

Por ser um projeto recente, todos os alunos que atuam são voluntários. Esses integrantes, segundo a professora, são do Curso de Ciências Sociais e também alunos que estão cursando a disciplina ministrada por ela no Departamento de Línguas e Letras, embora sejam aceitos estudantes de todas as áreas da Universidade. “Muitos dos alunos que estão à frente desse projeto junto comigo já atuam como professores, então ele os instrumentaliza para trabalhar em sala de aula uma formação não racista. É importante ter essa consciência e oferecer-lhes uma oportunidade de discutir as questões raciais e sociais. Temos também que sensibilizar alunos de várias licenciaturas para pensar a inserção desses conteúdos em suas áreas, pois a Lei não se restringe a um grupo específico de profissionais”, disse ela.

De acordo com Júlia, o interesse do Cine Negrada é sensibilizar os alunos envolvidos no projeto e conscientizar os das escolas participantes, para que outras pessoas sejam alcançadas com a iniciativa, propondo experiências diversas para séries diversas, além de se estender para as escolas particulares. “Espero que a gente tenha professores mais esclarecidos sobre a questão racial, alunos mais motivados com os estudos, com vontade de fazer a diferença. Para muitos a Universidade é algo inacessível”, finalizou.

Pratica do Saber4

editor1

Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

Mais posts do autor

COMENTÁRIOS