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Filantropia e solidariedade

As formas e conteúdos como as sociedades tratam de questões como organização da produção e distribuição de seus resultados, se diferenciam no tempo e no espaço. Algumas o fazem de forma tácita e a maneira como despossuídos – por idade, invalidez – são contemplados para sobreviverem, é naturalizado no dia a dia.

Entretanto, ainda que em menor número, casos de solidariedade social podem ser encontrados em estatutos explícitos de organização do bem comum. Na tradição judaico-cristã, por exemplo, em Levítico, estão estabelecidas precauções com relação à concentração de propriedade e de poder, bem como formas de cuidar de despossuídos, as viúvas, por exemplo.

O rápido, acelerado e instável processo de crescimento econômico, a partir da revolução industrial, inspirou sociedades nacionais a estabelecerem sistema fiscal que propiciasse a transferência de recursos entre mais e menos aquinhoados pelo sistema político, econômico e social.

O estado de bem-estar social que se ampliou e diversificou em países europeus, principalmente no pós Segunda Guerra Mundial, é um bom exemplo de como a distribuição do progresso pode ser pensada para muito além do exclusivo funcionamento do mercado.
O Brasil com sua industrialização retardatária também de-
morou em operacionalizar mecanismos que buscassem conciliar crescimento econômico com inclusão social. No regime militar, entre 1964 e 1985, a necessidade de se legitimar junto à classe média que o apoiava, foram estabelecidos programas; ampliação do ensino superior, financiamento habitacional, dentre outros, voltados para cerca de 20% da população no extrato intermediário.

A queda do regime militar e o estabelecimento de um novo pacto social voltado para a normalidade democrática e a inclusão social, resultaram na Constituição de 1988, que ainda que atrasada com relação a outros países em condições econômicas semelhantes, aproximou o Brasil do chamado estado do bem-estar social.

A quebra do pacto político, social e econômico da nova república pelo golpe de 2016 teve como consequência primeira a aceleração de privilégios dos muito mais ricos e a rápida retirada de direitos sociais de maior parte da população.

Na falta de politicas públicas voltadas para a solidariedade e diante do evidente crescimento de despossuídos pelas ruas e periferias de todo Brasil, a eles resta neste final de 2018 a filantropia. Que o significado do Natal para os cristãos inspire-os para a filantropia que acalente, ainda que minimamente, os excluídos.

Que o compromisso dos cristãos com a fraternidade os inspire a se colocarem em 2019, e sempre com a radicalidade necessária pela volta de políticas públicas que façam do Brasil uma Nação inclusiva social e economicamente de sua gente.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia
arlindo@villaschi.pro.br

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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