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Férias, Turismo e Cuidado da Casa Comum

Para nós brasileiros, os meses de dezembro e janeiro, caracterizam-se como tempo de férias, passeio, lazer…. Isso é bom, faz bem; afinal, ninguém é de ferro, e todos têm o direito de um merecido descanso. Esse período é tempo de recesso escolar, as indústrias oferecem férias aos funcionários, os órgãos públicos federais, estaduais e municipais também se organizam a fim de proporcionar esse benefício aos seus colaboradores previsto na Constituição Federal.

Como aproveitar bem a oportunidade do período de férias para “Bem-Viver”? Santo Agostinho dizia em seus escritos que “no céu amaremos, louvaremos e descansaremos”. – O que é um descanso saudável? Pode-se fazer silêncio e descansar no interior de nossa própria casa, mas isso depende da colaboração de todos. Por outro lado, descanso não quer dizer ociosidade! Aproveitar as férias para uma boa leitura, para melhorar seus conhecimentos através dos estudos e até para realizar algum tipo de trabalho que nos dá prazer! Isso também pode ser um descanso! Depende do amor e da paixão que dedicamos àquilo que fazemos!

O Cardeal Peter Turkson, em sua Mensagem por ocasião do Dia Mundial do Turismo (DMT), em 27 de setembro de 2017, dizia que “o tempo de férias não pode ser pretexto para a irresponsabilidade, nem para a exploração, seja de pessoas ou do meio ambiente”.

Lembrando o discurso do Papa Francisco dirigido às Nações Unidas, ele afirmava: “A Casa Comum de todos os homens deve continuar a erguer-se sobre uma reta compreensão da fraternidade universal e sobre o respeito pela sacralidade de cada vida humana, de cada homem e de cada mulher (…). A Casa Comum de todos os homens deve edificar-se também sobre a compreensão duma certa sacralidade da natureza criada”.

À luz desses argumentos; como vivenciar o período de férias como um tempo de descanso? Como “Bem-Viver” esse período? Os cristãos fazem a leitura do “Bem-Viver” como uma expressão da sabedoria do Reino: o desapego em benefício do bem comum. Em nossa sociedade, a sabedoria como núcleo de uma nova civilização exige despojamento como exercício cotidiano que envolve as dimensões da vida. O desapego como ascese, como exercício de se livrar do desnecessário para que todos possam usufruir do necessário, ultrapassa a esfera do privado e do individual. Além disso, a arte do “Bem-Viver” é a sabedoria que nos encaminha para um novo jeito de viver e conviver; é a capacidade de viver do essencial. Uma atitude evangélica sempre atenta aos sinais dos tempos e do Reino de Deus. O “Bem-Viver” é uma conquista, é uma evolução espiritual, um estilo de vida que se torna realidade quando: a) protegemos a vida e preservamos a natureza; b) defendemos os direitos e fortalecemos os valores; c) solidarizamos e partilhamos os bens comunitariamente; d) desenvolvemos autocomando e harmonia interior.

Por isso, eu lhe pergunto: – Você vai sair de férias? Não faça de suas férias um período de ociosidade, não crie problemas para você, para os outros e para o meio ambiente. Não faça das férias um descanso de Deus, mas agregue oração, espiritualidade, boas leituras, convivência familiar, fraterna; construa boas amizades, proponha-se a um lazer sadio, pratique esportes, realize passeios, contemple a Deus e a obra que Ele criou.

Boas férias, bom descanso!

Dom Irineu Roman
Bispo auxiliar de Belém do Pará  e referencial da Pastoral do Turismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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