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FELIZ ANO VELHO

A dinâmica socioeconômica brasileira sofreu uma inflexão com o golpe de 2016 e com seu aprofundamento a partir das eleições de 2018. Nelas foram legitimados retrocessos sociais, políticos e econômicos que devem ser ampliados a partir de 2019.

Entre 2016 e 2018 os ganhos do mercado financeiro foram fortalecidos e devem ser mais robustos no futuro. Robustez a ser assegurada por privatizações e desnacionalizações motivadoras e viabilizadoras do golpe de 2016. Privatizações e desnacionalizações que fazem parte da agenda do congresso e do executivo que tomaram posse em janeiro.

Agenda legitimada pelo voto popular, ainda que esse tenha sido conquistado sem o necessário debate aberto sobre suas causas e consequências. O discurso da privatização, por exemplo, continua sendo sustentado pelo argumento desprovido de evidências de que a desestatização – por si só e de forma exclusiva – gerará crescimento e emprego.

Privatização, segundo o discurso, para atrair capital e tecnologia do exterior. Como as joias a serem entregues estão em áreas estratégicas como energia, agricultura, saúde e sistema bancário, vale indagar o que o capital estrangeiro pode acrescentar ao que o Brasil hoje domina de tecnologia?

Pouco. Porque conhecimentos tecnológicos e gerenciais – incorporados em empresas nacionais como Embraer, Embrapa, Fiocruz, Petrobrás, e as que atuam no sistema bancário – vêm há muito interagindo e construindo parcerias com empresas mundo afora. Interação e cooperação que as capacitam para um equilibrado diálogo com o que se produz na fronteira tecnológica mundial.

Retrocessos na área econômica acompanhados por reacionarismo no campo social. Reação à regras para a relação capital-trabalho, construídas desde a primeira metade do século passado e que foram desmontadas de forma açodada. Reação a pequenos avanços na inclusão social conquistadas a partir do estabelecido na Constituição de 1988.

Retrocessos e reacionarismo que se refletem também na forma como o País se coloca na geopolítica mundial. Seja pela subserviência aos interesses dos Estados Unidos, seja pelo que essa subserviência provoca de perdas de protagonismo do Brasil em áreas como mudanças climáticas, biodiversidade, segurança alimentar, justiça social e construção de alternativas à ordem mundial estabelecida no pós-II Guerra.

Diante do discurso dos que assumem em 2019 no Executivo e no Congresso, vem a triste sensação de que no passado o futuro parecia melhor.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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