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FAKE NEWS E A POLÍTICA: UMA MENTIRA PERIGOSA

O hábito de falar mal dos outros está presente na sociedade desde os primórdios da humanidade. São várias as palavras indicadas pelo dicionário que estão relacionadas a esse tipo de atitude: maldizer, detração, fofoca, boato, rumor etc. Todo o cuidado é pouco, pois um simples boato pode acabar com reputações, provocar conflitos e até mesmo provocar a morte.
No livro A Detração: breve ensaio sobre o maldizer de Leandro Karnal, o autor enumera várias histórias, inclusive algumas da Bíblia, para demonstrar como o hábito de falar mal dos outros está presente desde os primórdios da humanidade. O recurso é utilizado como uma maneira de prejudicar os rivais e uma forma de estabelecer alianças, mas com o advento da internet e a popularização das redes sociais, o boato extrapola os espaços regionais e ganha proporções até então inimaginadas.

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Um dos casos mais graves aqui no Brasil acabou envolvendo a dona de casa Fabiane Maria de Jesus, que foi linchada por dezenas de pessoas na cidade de Guarujá. A tragédia aconteceu por ela ter sido confundida com o retrato-falado de uma suposta sequestradora de crianças. Recentemente, na Índia, uma multidão matou 7 pessoas depois que rumores espalhados pelo Whatsapp indicavam que estranhos estariam sequestrando crianças. Foi-se comprovado depois que as histórias eram falsas.

Já Fake News, nomeada a palavra do ano pelo dicionário em inglês da editora britânica Collins, são as notícias falsas, publicadas e divulgadas de modo a enganar o público, atendendo a algum interesse escuso. Assim, qual a diferença entre boato e Fake News? No primeiro você ouve dizer alguma coisa e acaba passando isso para a frente, já Fake News são notícias falsas criadas por um determinado grupo para influenciar a população sobre um determinado tema.

Exemplifico melhor, logo após o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), começaram a surgir uma série de postagens/mensagens nas redes sociais, principalmente no Facebook e no Whatsapp, difundindo informações falsas sobre a parlamentar, desde envolvimento com a facção criminosa Comando Vermelho a um suposto envolvimento com o falecido traficante Marcinho VP. Geralmente essas postagens são publicadas por perfis falsos (robôs programados para isso) e que depois acabam sendo compartilhadas pelo restante da população.

Foi-se comprovado que esse artifício também foi utilizado para persuadir os eleitores britânicos em relação ao Brexit (plebiscito que decidiu a saída do governo britânico da União Europeia). Por conta disso o Google e o Facebook estão procurando uma forma de impedir que Fake News se disseminem nas suas plataformas, pois esse é um problema cada vez mais presente na nossa sociedade.

Recentemente, pesquisadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology), no estudo The spread of true and false news online, publicado no dia 09 de março de 2018, identificaram que a chance de uma notícia falsa ser repassada é 70% maior do que a de notícias verdadeiras.

O estudo identificou ainda que o compartilhamento de notícias falsas independe do quanto a pessoa utilize as redes sociais ou há quanto tempo ela é usuária desses aplicativos. Os indivíduos compartilham as notícias falsas por essas serem mais inusitadas do que as verdadeiras. Além disso, foi constatado que notícias falsas que falavam sobre política tiveram propagação mais intensa, se espalhando três vezes mais do que notícias falsas sobre outros assuntos.

Esse é um dado alarmante, pois estamos mais propensos para divulgar notícias falsas, muito por conta do seu conteúdo e do tipo de mensagem que é criada. Para além disso, existe toda uma estrutura organizada que desenvolve e dissemina essas informações em prol de um objetivo específico. Ou seja, devemos estar cada vez mais atentos para acabar não compactuando, mesmo que sem querer, com esses interesses escusos.

Seguem alguns procedimentos que você pode adotar antes de compartilhar uma informação pela qual você não tem certeza sobre a sua veracidade (dicas fornecidas pela Agência Lupa em parceria com o Canal Futura no site http://fakeounews.org/):

São atitudes simples, mas que devem ser praticadas em benefício da sociedade. Dessa maneira podemos evitar que grupos com interesses obscuros tenham a sua mensagem divulgada e compartilhada nas redes sociais. Nesse período eleitoral você vai começar a receber uma série de pedidos de amizades, principalmente no Facebook, de perfis que são criados para disseminar Fake News, fique atento.

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Lembre-se que uma das principais características da internet, a possibilidade do anonimato, acaba sendo utilizada para propagar esse tipo de mensagem e podemos ser a pessoa que neutraliza ou que amplifica esse conteúdo. Lembre-se que um presidente extremista foi eleito utilizando essa estratégia, que o povo britânico votou a favor da saída do Brexit e se arrependeu depois e que o próximo presidente do Brasil pode ser eleito sem que a gente conheça de verdade quais eram as suas intenções. Todo cuidado é pouco.

Felipe Tessarolo
Publicitário e professor no Centro Universitário Faesa

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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