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Esperançamento

Visto enquanto continuidade e desdobramento de eventos que vêm se somando desde os movimentos de 2013, o ano que se inicia pode levar a um pessimismo generalizado. Os protestos de 2013 foram levados para avaliação por parte da população da forma legítima do processo democrático – as eleições de 2014.

Os resultados que emergiram das urnas decepcionaram a elite dominante e seus asseclas que, ruins de voto, resolveram partir para todo tipo de artimanha. Uma, absolutamente legítima, de contestar o resultado junto à justiça eleitoral, foi por ela declarada descabida. A outra, bem mais ardilosa, a de ‘…sangrar o governo’ teve resultados perniciosos para o País.

O governo foi ‘sangrado’ através de manobras parlamentares, sob a liderança de Eduardo Cunha, que impediam o andamento de qualquer medida voltada para a recuperação da economia, inclusive aquelas de conteúdo conservador propostas pelo então ministro Joaquim Levi. Paralelo ao sangramento pelo parlamento, ocorreu o linchamento do governo reeleito engendrado pelo mídia de mercado, o que viabilizou um processo ilegal de impedimento da Presidenta Dilma em 2016.

O golpe de 2016 levou ao poder executivo o que de pior a política partidária brasileira produziu nos últimos anos. Em conluio com um parlamento ilegítimo, foi posta em marcha um desmonte de avanços sociais conseguidos com forte participação social. Emendas constitucionais foram votadas retirando futuro dos brasileiros, como a que congelou gastos em áreas da importância como saúde, educação e assistência social. Daí o título de reacionários para os envolvidos com o retrocesso.

Mudanças foram feitas no sentido de facilitar o acesso a empresas estrangeiras à exploração de recursos naturais e à utilização de tecnologia gerada no Brasil, como a que vinha sendo desenvolvida pela Petrobras há muito tempo. Daí o adjetivo de entreguista para os golpistas.

O exercício ilegítimo do poder, levou à revogação de direitos trabalhistas e a tentativas de alteração de regras da previdência social como conseqüências graves para a estabilidade social e econômica no País. Tudo feito por processos de compra de votos, amplamente noticiada inclusive pela imprensa de mercado. Daí o entendimento do golpe como corrupto.

Como são esses Executivo e Legislativo ilegítimos, reacionários, entreguistas e corruptos que estarão à frente do poder em 2018, é difícil ser otimista. A virada do calendário gregoriano, entretanto, deve servir como tempo de esperançamento.

Esperançamento por eleições livres de esquemas de manipulação por parte do grandes veículos de comunicação; pelo surgimento de candidaturas que se legitimem pela discussão de suas propostas com a população; pelo comprometimento da sociedade civil organizada com as causas da democracia e da justiça social por um Brasil melhor para todos.

Esperançar para que pratiquemos o ensinamento do líder mundial Papa Francisco: “Temos que nos meter na política porque política é uma das formas mais altas de caridade; porque busca o bem comum.” Assim seja.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia
arlindo@villaschi.pro.br

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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