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Escolher entre o bem e o mal

A Igreja extraiu conceitos teológicos e princípios doutrinais fundantes dos relatos de Gênesis 2 e 3. Deles resultou a definição de “Pecado”, especificamente de “Pecado Original”.

Ao colocar o homem e a mulher no Paraíso, Deus – que quer viver com eles a plena amizade – dá a ordem de não comerem o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que comerem o fruto dessa árvore, terão que morrer (Gênesis 2, 16-17).

O homem e a mulher comem o fruto sob a influência da serpente (reconhecida pela Tradição Cristã como o Diabo), ao saberem que “seriam como deuses, versados no bem e no mal”.

A Igreja expõe claramente que o “fruto do bem e do mal” corresponde à autonomia moral, isto é, à capacidade de decidir por si mesmo o que é certo e errado. Ao “comer o fruto do bem e do mal”, o ser humano reivindica para si o poder de definir a lei moral, desprezando o poder de Deus.

Assim, o pecado original (das origens) corresponde à autossuficiência do ser humano, que no auge do seu orgulho, age ou deseja agir como parâmetro moral, dispensando Deus.  Em razão dessa autossuficiência, o ser humano perde a amizade com Deus, provocando a desordem no ambiente antes ordenado, como fica evidenciado nas penas aplicadas e na expulsão do Éden.

São João Paulo II – Encíclica O esplendor da Verdade nº 35 – afirma que, por meio da imagem de Gênesis 2, 16-17, a Revelação Divina ensina que somente a Deus pertence o poder de decidir o bem e o mal, não cabendo ao ser humano essa tarefa. A liberdade humana é ampla, mas não ilimitada. Deve deter-se diante da “árvore do conhecimento do bem e do mal”, aceitando a lei moral que Deus nos dá. A aceitação da lei moral dada por Deus corresponde à mais completa liberdade, pois somente o Senhor – que é Bom – conhece perfeitamente o que é bom para todos nós.

Assim, o Catecismo da Igreja Católica (nºs 1849-50) define “Pecado” como uma falta grave contra a razão, a verdade e a consciência reta, uma verdadeira falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, sendo uma palavra, um ato ou um desejo contrário à lei eterna do Senhor. O pecado ofende a Deus, ergue-se contra o Amor Divino, desviando-nos Dele os nossos corações. Como o primeiro pecado, é uma desobediência do ser humano contra Deus, por vontade de tornar-se como “deuses”. O pecado é uma exaltação orgulhosa de si mesmo, isto é, o amor por si mesmo até o desprezo de Deus.

Vitor Nunes Rosa
Professor de Filosofia na Faesa 

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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