buscar
por

Escassez x progresso

Entendida como ‘ciência da escassez’, o estudo da economia empobrece o debate. A ideologia por trás da escassez implica em imposição de restrições a gastos voltados para quem tem menor poder de negociação ou de pressão política.

Poder de negociação e de pressão política que faltou aos beneficiados pela universalização de serviços como saúde, educação e assistência social. Por serem difusos e espalhados pelo território, os beneficiados pelo direito universal a serviços essenciais, perderam o estabelecido na Constituição de 1988 por argumentos da pós-verdade. Em nome de um falso equilíbrio fiscal, foram congelados gastos por 20 anos; congelamento que tira futuro dos recém incluídos no acesso à saúde, educação e outros serviços essenciais.

Se, de forma oposta ao viés da escassez, a economia for entendida como o estudo do progresso e da forma como ele é distribuído, o debate que se faz necessário sobre ela ganha contornos de maior legitimidade. Debate que pode e deve explicitar os que mais contribuem para o progresso e que participação têm na distribuição de seus frutos.

Distribuição que precisa aquinhoar de forma distinta aquela que produz mais de 2/3 dos alimentos consumidos pelos brasileiros – a agricultura familiar. Diante dos postos de trabalho e da distribuição de renda que gera, a agricultura familiar deveria ter maior destaque no acesso a crédito, financiamento, assistência técnica. Crédito, financiamento, assistência técnica e outros benefícios mais facilmente acessíveis pelo agronegócio.

Distribuição dos frutos do progresso que precisa contemplar de forma diferente as empresas de micro, pequeno e médio (MPEs) portes espalhadas por todo território nacional. Geridas por quem mora no país, as MPEs têm acesso a financiamento, crédito, incentivos etc. desproporcionalmente menor do que os chamados grandes empreendimentos. A visibilidade das maiores empresas e o poder de defender seus interesses, as tornam beneficiadas maiores de toda sorte de incentivos e de regalias, muitas vezes em detrimento do interesse coletivo, como no caso de questões ambientais.

Para que seja mais justa a distribuição dos frutos do progresso, há que se explicitar o quanto dele é apropriado pelo capital especulativo que gira em torno do mercado financeiro, e quanto vai para o setor produtivo, composto por toda uma gama de micro, pequenas, médias e grandes empresas. Explicitação que certamente jogará outras luzes sobre o ideologizado debate centrado na escassez.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia
arlindo@villaschi.pro.br

editor1

Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

Mais posts do autor

COMENTÁRIOS